ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 16/11/2017

Durante o período Medieval era permitido que crianças deficientes fossem consideradas um castigo dos deuses e, portanto, poderiam ser mortas. Apesar de tal ideologia ter sido abandonada pela sociedade, no Brasil, ainda existem pessoas com necessidades especiais, como a surdez, por exemplo, que ainda sofrem problemas de inclusão social. Nesse sentido, é preciso reconhecer a existência de uma sociedade preconceituosa que impede a reestruturação de locais que propiciem a formação educacional de surdos no país.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a sociedade brasileira ainda trata a surdez de forma pouco inclusiva, intensificando as dificuldade que os surdos enfrentam para ingressar em escolas e universidades. No Brasil, existe a Lei Brasileira de Inclusão, que, em tese, assegura os direitos sociais de qualquer deficiente, entretanto, de acordo com a Superintendente do Instituto Brasileiro da Pessoa com Deficiência, Tereza D’amaral, os pontos abordados pela legislação são de suma importância para garantir os direitos dos deficientes, porém, mostraram-se pouco efetivos nos últimos anos.

Sob esse viés, a marginalização a qual os surdos estão submetidos, dificulta a possibilidade de escolas, universidades e ambientes de trabalho promoverem melhorias em sua infraestrutura visando acolher os surdos e proporcionar uma formação adequada, diminuindo a segregação existente. A exemplo disso, existem escolas particulares que dispõem de tradutores de libras para atender alunos com surdez, em contrapartida, tal realidade não se reflete nas escolas públicas brasileiras, demonstrando que o acesso a educação não está assegurado para todos os cidadãos. Em função de falta de preparo dos ambientes de formação destes alunos, há uma tendência de que os surdos se desinteressem pelo estudo e deixem de buscar alternativas para alcançar seus objetivos.

É evidente, portanto, que a sociedade e os centros de formação educacional encontram-se despreparados para lidar com os surdos. Destarte, é imprescindível que as prefeituras municipais promovam, com o apoio do Ministério da Educação, palestras nas escolas e universidades da região expondo a problemática à população, além de viabilizar a realização de cursos que desenvolvam o conhecimento básico da linguagem de Libras, visando a capacitação dos educadores, com o intuito de facilitar o processo de aprendizado, a fim de diminuir as barreiras que distanciam os alunos surdos de sua formação e permitir que os mesmos expressem o seu potencial para a sociedade.