ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 16/11/2017
A vinda da corte portuguesa ao Brasil -resultado do Bloqueio Continental Napoleônico- propiciou a ocorrência de significativos avanços no setor da educação, por meio da introdução das primeiras bibliotecas e universidades em território nacional. Entretanto, no atual contexto, são visíveis as deficiências enfrentadas pelo sistema educacional brasileiro, destacando-se as dificuldades na inclusão de deficientes auditivos no contexto escolar.
Segundo Helen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Sob esse ângulo, evidencia-se que a função da escola não deve se restringir à transmissão de conhecimento e informação, mas deve exercer papel fundamental na formação de indivíduos mais tolerantes com as diferenças e na inclusão social -especialmente no ambiente escolar- de todo tipo de grupo, independente de suas características físicas. Desse modo, o subfinanciamento governamental ao setor, em consonância com a ausência de políticas públicas efetivas que incluam nos meios educacional e social deficientes auditivos, constituem fatores preponderantes na perpetuação dos empecilhos para a formação profissional desse grupo na sociedade brasileira atual.
Outrossim, inobstante a aprovação da lei em 2015 que assegura como direito do portador de dificuldades auditivas o acesso irrestrito à educação pública represente uma relevante conquista legal, a insuficiência de instituições e profissionais devidamente preparados para lidar com limitações físicas caracteriza uma relevante barreira à inserção efetiva dos surdos em meios educacionais, restringindo, consequentemente, suas oportunidades profissionais. Dessarte, é possível corroborar a insuficiência de recursos destinados ao setor e o despreparo profissional à violação do direito social de minorias no Brasil.
De acordo com Confúcio, não corrigir as próprias falhas é o mesmo que cometer novos erros. Nesse prisma, faz-se imperioso que o Governo Federal destine maior parcela dos impostos arrecadados à educação pública, a fim de garantir suficiência de recursos para que exerça seu papel social, o qual deverá ser assegurado pelo MEC, responsável pela contratação de professores habilitados em libras nas escolas tupiniquins, possibilitando compreensão e acesso efetivo de surdos à educação no Brasil. Ademais, é essencial que as mídias propagandísticas veiculem conteúdos de caráter inclusivo, assegurando inserção dos deficientes físicos na sociedade tupiniquim.