ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 17/11/2017

A frase do fotógrafo Sebastião Salgado: “Cada Um desenvolve sua forma de ver a partir de sua história”, caracteriza um dos principais fatores responsáveis pela construção de desafios à formação educacional de surdos, que é as matrizes ideológicas da sociedade brasileira, influênciada pelo preconceito e discriminação. Essa situação é resultado inegável da negligência do Estado brasileiro, em relação aos cuidados com a educação de pessoas portadoras de necessidades especiais. Assim, entre os fatores que alicerçam essa problemática pode-se facilmente destacar a falta de investimentos, além do preconceito presente na sociedade.

Desse modo, a falta de investimentos na educação caracteriza um dos principais desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Esse cenário ocorre devido a falta de interesse do Estado em investir na educação para deficientes, o que contribui para a ausência de infraestrutura de adequada e de qualidade, formação deficiente de professores, gerando assim o fornecimento de uma formação escolar precária aos surdos. Como consequência, a falta de investimentos contribui para a exclusão social dos indivíduos com deficiência auditiva, já que com uma educação de má qualidade eles não conseguem se inserir no mercado de trabalho, tendo um de seus direitos sociais, de acesso a educação de qualidade, negligenciado pelo Estado brasileiro.

Além disso, o preconceito presente na sociedade caracteriza como mais um dos desafios para a formação dos deficientes auditivos. Tal panorama é evidentemente advindo de uma lógica capitalista, que excluí os indivíduos “incapazes” de produzir, sendo assim a população surda é deixada as margens da sociedade, e por isso acabam tendo seus direitos negligenciados. Resulta dessa realidade equivocada, a má formação escolar desses indivíduos, já que suas “diferenças”, “limitações” os tornam vítimas de preconceito, fazendo com que se tornem muitas vezes invisíveis para o Estado. Ilustra-se facilmente esse cenário a frase da filósofa Marilena Chauí: " O brasileiro transforma as diferenças em desigualdades".

Assim sendo, faz-se fundamental que o Governo Federal em parceria ao Ministério da Educação, propor a criação de um Programa Nacional para Educação de Surdos. Esse programa deve criar um fundo de investimentos exclusivo para a educação de pessoas portadoras de necessidades especiais, objetivando melhorias na infraestrutura escolar, além de melhorar a formação dos profissionais da educação. Além disso, esse programa deve restabelecer leis que punem os que praticam atos preconceituoso e discriminatorios, através da incrementação de mecanismos de denúncia e fiscalização. Esse programa pode ainda propor alterações nos PCN’s(Parâmetros Curriculares Nacionais, afim de incluir a discussão sobre