ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 16/11/2017

O Papa Francisco, líder religioso, disse em um pronunciamento que vive-se uma crise não só financeira, como também educacional. No Brasil, essa crise fica bem evidente ao olhar para os desafios que os surdos enfrentam em sua formação escolar. Sendo assim, urge a necessidade de se ressaltar um conceito aristotélico, bem como, desfazer uma errônea concepção da sociedade.

Primordialmente, é válido salientar um conceito mais amplo de educação, uma vez que os fatores em prol de uma boa educação ultrapassam os muros da escola. Exemplo disso são os eventos culturais e artísticos, imprescindíveis na formação de um indivíduo. Contudo, esses veículos de transformação, na maioria das vezes, não são acessíveis aos deficientes auditivos, já que investir em intérpretes é um gasto visto como desnecessário e que encolheria a margem de lucro do espetáculo. Porém, deve-se firmar ações baseadas no conceito de igualdade proposto por Aristóteles, filósofo, e tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, a medida que se desigualam. Isto é, fornecer condições extras aos portadores da deficiência para que se desenvolvam como o cidadão sem o problema.

Todavia, é incontrovertível que a discriminação no seio social afeta a igualdade no direito à educação. Ou seja, muitos cultivam o ideário pueril de que os surdos precisam de escolas específicas para suas necessidades especiais, um equívoco, porque não há relação alguma com um baixo desempenho intelectual, e a inclusão dessas pessoas pode, inclusive, promover maior aceitação de suas necessidades. Destarte, cabe uma conscientização sobre o assunto para que não se force o desenvolvimento, mas sim elimine os fatores que o limitam, de acordo com o pensamento do escritor    Peter Senge.

Nessa perspectiva, entende-se que há, sobretudo dois setores capazes de alcançar as mudanças almejadas: escolas e Câmaras Municipais. Essa última, pode através de um plano diretor, destinar recursos e promover que intérpretes estejam presentes em eventos culturais, subsidiando-os. Com isso, a formação educacional dos surdos terá um desafio a menos. As escolas, por sua vez, através dos professores, podem trabalhar livros visando a inclusão de deficientes, como a obra “Extraordinário” de R.J. Palacio. Desse modo, os infantes aprenderão conviver e respeitar diferenças, incluindo os surdos na sociedade a frase do Papa se tornará, cada vez mais, sem sentido.