ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 27/11/2017

A população surda possui um longo histórico de violação de seus direitos. No passado, para que pudessem aprender a falar, tinham as mão atadas afim de que não se comunicassem através de mímicas. Hoje, a língua brasileira de sinais (Libras)  já é o segundo idioma do país. Apesar dessa conquista, os deficientes auditivos ainda enfrentam desafios no que tange à sua educação formal. Dentre as causas dessa problemática, estão a segregação educacional e as dificuldades linguísticas.

Em primeiro lugar, é necessário analisar a consideração da sociedade em frente ao surdo. De maneira geral, a coletividade encara as pessoas surdas como uma comunidade à parte, com uma cultura própria, calcada na língua de sinais. Tal visão força o deficiente auditivo a ter uma educação isolada em escolas especiais.  Essa separação o priva do contato com  indivíduos sem deficiência. Futuramente, isso pode configurar em um fator de desestímulo para a continuação dos estudos, uma vez que, seja na faculdade ou em um curso técnico, o surdo irá conviver, na maior parte do tempo,  justamente com pessoas ouvintes. Infere-se, então, que a interação de uma criança surda com as demais é de suma importância.

O mau aparelhamento das instituições de ensino também agrava a problemática. De fato, nossas escolas, em sua maioria, não dispõe de recursos didáticos para receber e auxiliar um aluno deficiente. Soma-se a isso, a falta de intérpretes na sala de aula e a quase que total ausência de vestibulares e provas bilíngues.  A comunicação, por conseguinte, torna-se no maior obstáculo para a formação educacional do surdo, pois sua capacidade de aprendizagem não será plena. Inevitavelmente, boa parte deles sequer terminam o ensino fundamental, haja vista que, segundo a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, apenas 7 % da comunidade surda do Brasil é alfabetizada.

É imprescindível, portanto, que o Ministério da Educação promova a inclusão social e escolar dos jovens surdos. Para tanto, faz-se necessário retirar a barreira do ensino segregado, promovendo a formação educacional junto às pessoas ouvintes, favorecendo, dessa forma, a integração escolar plena. Para ajudar nessa tarefa, a Secretaria de Educação, juntamente com universidades públicas e privadas, poderão ministrar curso de Libras aos atuais e futuros professores, de modo que os tornem aptos a atenderem as necessidades específicas dos alunos. Da mesma forma, empresas e faculdades poderão dispor de intérpretes de sinais. Assim sendo, o acesso do surdo ao ensino superior e ao mercado de trabalho poderia aumentar, dando a ele a oportunidade de também ter a sua participação ativa dentro da sociedade.