ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 17/11/2017
Injustiça atemporal
Desde a formação do Estado brasileiro, instauraram-se grandes desafios quanto à construção de uma nação inclusiva para os cidadãos surdos. Na contemporaneidade, tais impasses perpetuam-se, seja pelo preconceito histórico com esses indivíduos, seja pela arcaicidade do sistema educacional. Logo, há a necessidade de se conhecer essa problemática, em prol de sua atenuação.
A priori, vale ressaltar o pensamento de Milton Santos acerca da formação da cultura de um determinado povo, pois afirma que esta é responsável pela solidificação de uma identidade nacional. À vista disso, a banalização histórica de cidadãos surdos e suas contribuições artísticas ou, o reconhecimento tardio da língua de sinais como outra forma de comunicação, fomentaram a marginalização desses indivíduos perante a sociedade como um todo. Assim, nos dias atuais, possuem inúmeros desafios no mercado de trabalho e em suas vidas cotidianas. Nesse âmbito, carece-se de medidas que invertam tais adversidades e os garantam seus direitos fundamentais.
Ademais, torna-se fundamental entender a sociologia funcionalista de Durkheim, a qual determina que, para uma sociedade ser coesa e funcional, as instituições sociais devem funcionar harmoniosamente. Dessa maneira, o sistema ultrapassado de ensino brasileiro, que possui precárias políticas de inclusão social a essa parcela da população, além da falta de professores preparados para lidar com esses deficientes, tornam-se um empecilho para a construção de uma pátria simétrica e harmônica. Por conseguinte, os surdos no país, encontram nos modelos educacionais barreiras para seu aprendizado e, muitas vezes, abandonam as escolas antes do término. Nesse ínterim, agentes externos devem agir, a fim de erradicar tal problemática enraizada.
Infere-se, portanto, a urgência de providências para assegurar os direitos naturais dos surdos na nação. Dessa forma, cabe ao Terceiro Setor fomentar manifestações pacíficas no ciberespaço, por intermédio de campanhas publicitárias que condenem o preconceito com esses indivíduos, além de exigir a aceitação de suas contribuições artísticas históricas e a utilização da língua de sinais no ambiente escolar, objetivando inseri-los no mercado de trabalho e na identidade brasileira. Outrossim, é de responsabilidade das escolas, por meio de incentivos monetários gerenciados pelo Ministério da Educação, lecionar, através da inclusão do sistema Braille e da contratação de professores preparados para como lidar com esses deficientes auditivos, a importância da isonomia entre os cidadãos, em prol de garantir a inclusão dessa população no Brasil. Por fim, segundo Luther King, ‘‘uma injustiça em um lugar é uma afronta à justiça em todo o lugar’’.