ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 17/11/2017
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico, pois ela é formada por partes integradas. Desse modo, para que esse organismo seja harmônico, é essencial a garantia de todos os direitos dos cidadãos. Contudo, a presença de desafios- seja a mentalidade preconceituosa, seja a ineficiência do Poder Público- para a formação educacional dos surdos, no Brasil, rompe esse equilíbrio.
É importante destacar, de início, que a mentalidade preconceituosa é a principal responsável por tal problemática. Esse pensamento discriminatório decorre do individualismo fortemente presente na sociedade pós-moderna, como destacou o filosófo Zygmunt Bauman. A sociedade, então, centrada no seu ego, não consegue respeitar as diferenças e nem se adaptar aos surdos. Em consequência disso, esse grupo fica marginalizado, sem acesso ao meio educacional, sem poder ter uma formação intelectual, ocasionando a impossibilidade, muitas vezes, de trabalhar- direito que fomenta a sua dignidade.
Outrossim, a inaptidão do Estado é uma forte impulsionadora desse impasse. Isso ocorre porque, embora a Constituição Federal assegure o direito à educação de qualidade aos deficientes, os surdos ainda são vítimas da pouca quantidade de políticas públicas que efetive essa garantia. Não é à toa que, segundo o INEP, as matrículas de surdos na Educação Básica vem diminuindo desde 2013. Esses dados reproduz a difícil realidade dessa classe em se estabelecer no processo de educação e o rompimento não só da Carta Magna, mas também dos quatro pilares da Democracia: Igualdade, Liberdade, Equidade e Justiça.
Destarte, cabe à Secretária de Direitos Humanos, em parceria com canais televisivos, beneficiados por deduções fiscais, disseminar palestras proferidas por sociólogos a fim de combater o preconceito enraizado na sociedade. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com ONGs, deve incentivar a matrícula desses indivíduos por meio de campanhas onlines nas redes sociais e deve também fiscalizar as instituições de ensino, analisando se elas apresentam profissionais adequados à atender esse grupo. Assim, o corpo biológico brasileiro dará um grande passo na consolidação de sua paz social.