ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/03/2018

A problemática em que os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil se insere está no centro das ameaças à integridade da democracia. A herança utilitarista de Platão engessa os parâmetros de inserção social à medida que vê essas pessoas como inúteis. Destarte, duas vertentes são notórias: a errônea concepção de equidade e a falência do “Welfare State” (Estado de Bem-Estar Social).

O homem é um animal habitual - dimensão analogicamente evidenciada por Hannah Arendt para a contemporaneidade brasileira. Assim, por encargo histórico darwinista, tende-se a utilizar o princípio da seleção natural como norma diária de exclusão. A ausência de estruturas inclusivas em escolas e universidades exemplifica isso, visto que os surdos mal conseguem se comunicar eficazmente com colegas e professores pela deficitária possibilidade de manifestação de sua língua própria (LIBRAS - Língua Brasileira de Surdos). Desta forma, é decrescente a parcela desse grupo no ambiente educacional, uma vez que é errada a aplicabilidade do método de inserção, dificultando o estabelecimento comunicativo-social por falta de conhecimento básico dos demais indivíduos.

Circunscrito a essa realidade, o esfacelamento das bases democráticas é evidenciado pela falência do “Welfare State”, que pouco opera para incluir efetivamente os surdos brasileiros. A ausência do ensino básico de LIBRAS, por exemplo, promove a infeliz realidade da formação educacional deficitária desses indivíduos. Baudrillard descreve isso como sendo simulacro, no qual o parecer ser é mais evidenciado do que realmente sê-lo. Ou seja, a Constituição de 1988 é clara quanto ao direito por um educação que vise alcançar o máximo desenvolvimento e aprendizado pelo deficiente, porém as escolas e universidades apenas fazem ser aparente esse direito, visto que, em sua maioria, estão despreparadas para tal e acabam deixando o surdo à parte de suas atividades, impedindo sua educação e posterior inserção no mercado de trabalho de maneira plena.

Para tornar a concepção de equidade mais realista e aplicável, e corrigir a falha do “Welfare State”, o Ministério da Educação deve inserir no ensino básico escolar o conteúdo de LIBRAS, a fim de possibilitar eficaz comunicação com os surdos em toda sua trajetória educacional. Além disso, com o objetivo de tornar esse grupo equiparadamente preparado e orientado para a convivência produtiva, é imprescindível que o Ministério da Cidadania incentive financeiramente a criação de ONG’s que promovam auxílio educacional e profissional voltados e adaptados à realidade dos moucos.