ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 17/11/2017
A primeira escola, no Brasil, capacitada a ensinar os deficientes auditivos foi criada apenas em 1857, no Segundo Reinado, por Dom Pedro II. Apesar de passados 160 anos, a maior parte deste segmento da sociedade possui dificuldades para encontrar instituições devidamente qualificadas e preparadas para o ensino. Desse modo, percebe-se inúmeros obstáculos que devem ser ultrapassados para assegurar educação digna à todos.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a Constituição Federal de 1988 assegura os direitos sociais a todos os cidadãos brasileiros, e neles incluso a educação. Ademais, o artigo 27 reforça o acesso ao ensino pelo deficiente físico. Entretanto, na prática a situação mostra-se bem diferente. Com escolas despreparadas para o acolhimento desses indivíduos, os mesmos ficam a mercê de poucas opções, tendo que adequar-se ao oferecido, mesmo que prejudique-o intelectualmente. Cabe também apontar que a grande maioria dos professores não dominam a Lingua Brasileira dos Sinais (Libras), dificultando ainda mais a relação entre o educador e o aluno. Sendo assim, pode-se perceber uma falha na democracia brasileira, pois esses cidadãos possuem seus direitos restritos.
Outrossim, as universidades estão em um abismo perante a educação inclusiva. Se no ensino básico os surdos já encontram dificuldades, no acesso a formação superior as barreiras são ainda maiores. Em um mundo globalizado e em transição para a 4ª Revolução Industrial, a mão de obra altamente qualificada torna-se imprescindível. Destarte, é certo dizer que existe uma competição profissional injusta para esses deficientes, pois não conseguem qualificar-se para o mercado de trabalho.
Portanto, observa-se que o Brasil lida com grandes desafios para a formação educacional dos surdos. Sabendo os problemas enfrentados, algumas medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, deve implantar cursos que ensinem Libras a todos os professores da rede pública já contratados, além de exigir em seus concursos para novas contratações o domínio dessa linguagem em prova prática, afim de garantir o ensino adequado dos deficientes auditivos. Nesse mesmo plano, o MEC poderia exigir que as universidades integrem o ensino de Libras em suas grades curriculares como matéria obrigatória, além de criar programas inclusivos em seus cursos. Dessa forma, os deficientes auditivos terão chances de incluir-se devidamente e integralmente na sociedade.