ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 18/11/2017

Na conjuntura social atual, nota-se que o Brasil tem dificuldades em lidar com as carências das minorias, principalmente, na realidade educacional de surdos e mudos. Um dos maiores ativistas do século XX, Martin Luther King, escreveu que “a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. Essa frase está relacionada, intrinsecamente, com essa problemática, pois é evidente que a falta de manejo das instituições educacionais com essa realidade, está tão arraigada no cotidiano que tal prática não é tomada como uma injúria social. Tal perspectiva é o reflexo da falta de interação dos deficientes auditivos e visuais com as decisões políticas no Congresso Nacional; além disso, é indiscutível que a inacessibilidade aos recursos pedagógicos específicos e a incapacidade dos educadores para lidarem com esses alunos, contrariam os princípios educacionais constitucionais.

A princípio, em 2011, segundo o levantamento feito pelo grupo Jovens Deputados, apenas 2% dos deputados e senadores brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência. Essa pesquisa reflete a dificuldade de surdos, mudos e cegos em participarem, efetivamente, das decisões políticas do país. Devido a essa superficialidade legislativa, os surdos têm seus direitos educacionais suprimidos, principalmente, pela falta de políticas públicas que incentivem essas minorias às universidades.

Em segunda instância, segundo uma pesquisa pelo INES(Instituto Nacional de Educação para Surdos),em 2010, 75% das escolas públicas e privadas não têm profissionais capacitados e um suporte pedagógico necessário para atender alunos com problemas visuais e auditivos. Esse descompasso educacional com a necessidade desses alunos contradiz os ideais da Constituição de 1988 que, consequentemente, alimenta uma constante negligência em aceitá-los dentro das escolas. Por causa dessa dificuldade de aceitação, é inquestionável que muitos estudantes portadores dessas doenças acabam não desenvolvendo sua capacidade intelectual.

Em virtude do que foi mencionado, fica claro que, para solucionar a problemática da realidade educacional de surdos e mudos no Brasil, é preciso promover uma parceria entre o Ministério da Educação e o TSE com o intuito de assegurarem uma educação de qualidade a essas pessoas. Portanto, cabe ao primeiro promover um curso de capacitação pedagógica aos professores e garantir recursos necessários, por meio da oferta gratuita do curso de libras, promovendo, assim, uma ampliação das habilidades intelectuais desses estudantes. Já ao segundo cabe fazer uma ampliação desses deficientes no Congresso Nacional, por intermédio de políticas públicas eleitorais, a fim de proporcionar a essas pessoas uma maior participação nas decisões políticas do país. Afinal, King morreu acreditando em um mundo sem injustiças, logo, o Brasil pode cumprir com esse lema.