ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 20/11/2017
“Qual caminho devo tomar para sair daqui?”. No País das Maravilhas, Alice — personagem do escritor Lewis Carroll — faz essa pergunta ao Mestre Gato, querendo saber como deixar o mundo surreal em que se encontrava. É possível relacionar essa indagação à negligência na formação educacional de surdos verificada no Brasil. Isso porque encontrar o “caminho” que possa distanciar a sociedade dessa problemática, tende a permitir uma realidade mais harmônica. Por esse viés, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no país.
Primeiramente, observa-se que o poder público mostra-se negligente ao não proporcionar uma educação de qualidade para deficientes auditivos. Como prova disso, verifica-se uma deficiência no processo de investimento financeiro em instituições especializadas no ensino de pessoas com audição comprometida. Sendo assim, vê-se que o governo não tem assegurado o bem-estar dos cidadãos, evidenciando, dessa forma, o desrespeito aos princípios fundamentais das sociedades civilizadas, previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).
Além disso, nota-se que falta engajamento coletivo para se alcançar, de fato, um corpo social que promova o combate à precarização do ensino para surdos. Como exemplo, constata-se a inércia das pessoas em não lutar pela aplicação das leis existentes que garantem a consolidação da cidadania desse grupo vulnerável. Recorrendo às reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman para explanar esse fenômeno, aponta-se a influência do pessimismo que se abateu sobre o ser humano, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a teoria da modernidade líquida desse autor, os indivíduos, não acreditando mais em sociedades utópicas, passaram a aceitar quadros negativos.
Ressalta-se, em suma, que a formação educacional dos deficientes auditivos deve ser garantida. Para isso, é necessário exigir do governo, mediante debates públicos, um maior investimento financeiro em escolas e universidades, com o intuito de garantir o direito à educação da pessoa com a audição comprometida. Ainda, é importante estimular a população, via campanhas midiáticas, a adotar uma postura mais ativa diante da precarização do ensino de surdos. Ademais, deve haver o empoderamento dos brasileiros com deficiência auditiva, por meio do Poder Judiciário, a partir de uma melhor aplicação da Lei de Inclusão do Deficiente, a fim de consolidar a cidadania desse segmento social. Desse modo, seria possível encontrar o “caminho” para uma realidade funcional, assim com Alice.