ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 20/11/2017

Durante o governo do presidente José Sarney em 1985, e criada a atual constituição brasileira em 1988, conhecida popularmente como constituição cidadã, inúmeros direitos civis foram conquistados. Tornou-se dever do Estado o amplo acesso da população à educação, incluindo a classe dos deficientes, como os surdos. Embora o acesso desses ao ensino esteja previsto por lei, a falta de profissionais capacitados, e de estrutura adequada, não permitem que esse objetivo seja alcançado.

É necessário destacar, antes de tudo, que a falta de profissionais especializados dificulta o aprendizado do deficiente auditivo. Devido a ausência de tradutores formados em Língua Brasileira de Sinais (Libras), utilizada por esse grupo como meio de comunicação, o acesso ao conhecimento torna-se restrito à leitura de livros didáticos, mesmo em ambientes escolares, uma vez que essas pessoas não possuem a capacidade de entender o que está ensinado pelo professor. Além disso, por não acompanharem o ritmo da turma, esses indivíduos tornam-se vítimas de preconceito dentro das escolas, sendo marginalizados e suscetíveis à práticas de bullying.

É inegável, ademais, que a estrutura inadequada dos meios educativos dificultam ainda mais a contemplação dos surdos. Previsto pela lei número 10.436 da legislação brasileira, sancionada em 2002, a Libras passou a ser a segunda língua do Brasil. No entanto, a grade curricular de escolas e universidades não a colocam como ensino obrigatório, tornando a prática escolar em grupo, de pessoas incapazes de reconhecer sons, uma atividade rara, já que os colegas de classe não aprendem como se comunicar com esses indivíduos. Além disso, de acordo com Charles Darwin, em sua teoria da seleção natural, o meio seleciona os seres mais aptos. Nesse sentido, pela dificuldade de alcançarem uma formação acadêmica de qualidade, os deficientes auditivos encontram barreiras que impedem sua inserção no mercado de trabalho.

Portanto, para que o direito de acesso à educação seja alcançado por esses seres, medidas devem ser tomadas. Sendo assim, cabe ao Poder Executivo destinar verbas à contratação de professores formados em Libras, por meio do corte de gastos públicos com ações menos emergenciais, a fim de tornar as aulas acessíveis a possíveis alunos surdos que façam parte da turma na qual aqueles lecionem. Outrossim, fica incumbido ao Ministério da Educação tornar o ensino da Língua Brasileira de Sinais obrigatório em escolas e universidades, por meio de alteração da grade curricular, a fim de que os colegas de classe consigam se comunicar e auxiliar na formação educacional do portador dessa deficiência.