ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 21/11/2017
Descaso, perseguição e exclusão de deficientes são marcas de períodos pautados por atraso ideológico cultural. Durante a Idade Média, bem como na Alemanha Nazista, essas pessoas eram comumente isoladas das relações sociais e, em casos extremos, assassinadas por serem consideradas abominações divinas e empecilhos para uma “sociedade perfeita”. Hodiernamente, com a promulgação da Constituição de 1988, a educação, juntamente aos demais direitos, é assegurada a todos os cidadãos. Tal garantia, contudo ainda não contempla efetivamente o público surdo, tendo em vista não só a carência de serviços qualificados para atendê-los, como também os desafios de inserção num ambiente estudantil.
Mormente, analisando-se a vigente conjuntura escolar brasileira, é incontestável a falta de preparo do corpo docente e da infraestrutura institucional para oferecer formação intelectual eficaz aos deficientes auditivos. No século XIX, durante o reinado de Dom Pedro II, a parcela demográfica em questão logrou acesso ao estudo, mas o decreto constitucional do sistema de Libras como segunda língua nas escolas do Brasil é uma conquista recente. Dessarte, grande contingente dos professores não o domina, e a maioria das tecnologias usadas por estes carece por acessibilidade.
Outrossim, é indubitável que crianças com incapacidades auditivas, assim como os demais deficientes, tendem a ser isoladas, ou mesmo humilhadas pelos colegas. Para o filósofo Friedrich Nietzsche, tudo que foge aos padrões é recebido com medo e repulsa pela humanidade. Diante disso, em uma sociedade tão estratificada por padrões estéticos e comportamentais, ações como bullying e intransigência mostram-se vertiginosamente frequentes.
Evidencia-se, portanto, que a educação para a população surda enfrenta óbices na esfera intelectual e cultural do País. Nesse viés, a fim de aperfeiçoar a transmissão de conhecimento e a comunicação entre esses estudantes, o MEC deve promover palestras e formações para professores e alunos, de modo a capacitá-los para o uso das Libras no cotidiano, incentivando a inclusão a partir do contato com a realidade desse público por meio da língua. Paralelamente, cabe ao Ministério do Planejamento, em parceria com iniciativa privada, a implantação de livros didáticos e material eletrônico com esse idioma. Assim, o Brasil começará a galgar rumo à consolidação da isonomia.