ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 22/11/2017
Na Antiguidade Ocidental, a segregação de portadores de necessidades especiais era recorrente e contribuiu para a formação da sociedade. Grandes Impérios, como o Grego, adotavam políticas de exclusão desse grupo, os matando ou os escondendo. Embora esse cenário date de séculos atrás, a inclusão e o respeito para com esses indivíduos ainda não é uma realidade brasileira, em especial no que tange à educação de surdos. Nesse contexto excludente, faz-se imperativo discutir acerca dos desafios para promover o processo pedagógico inclusivo no país.
A princípio, vale pontuar que o preconceito atua como barreira para a integração de pessoas com problemas auditivos. O ambiente escolar, marcado pelo crescimento da violência, como apontou o censo do IBGE, concentra elevados níveis de intolerância contra quem é “diferente”. Assim, os surdos são constantemente alvos de ofensas e agressões, seja pelos apelidos preconceituosos, seja pela violência física. Desse modo, é notório que a histórica cultura excludente impede a efetiva participação inclusiva nas escolas, já que a hostilidade escolar desestimula o aluno surdo, o qual sente-se excluído e incompreendido.
Ademais, convém ressaltar que a exclusão do deficiente vai de encontro as metas da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU estabeleceu a educação universal como objetivo para o milênio. No entanto, o despreparo de profissionais escolares e da escolas confrontam com a previsão, já que apenas em 2002 a linguagem de sinais - libras - passou a ser oficial no Brasil. Dessa maneira, durante anos, os alunos que não conseguiam ouvir perderem explicações de matérias fornecidas pelos docentes, o que impediu, e ainda impede, o progresso intelectual. Para o sociólogo Émile Durkheim, os valores éticos e morais são criados na infância, isto é, fase escolar. Sob essa perspectiva, nota-se o prejuízo no desenvolvimento socioeducacional de surdos no país.
Logo, é incontrovertível que os impasses para a efetivação da educação inclusiva de surdos sejam superados, visando assegurar um eficiente ensino a todos e cumprir com o estipulado pela ONU. Para isso, os preconceitos herdados devem ser erradicados, por meio de uma educação tolerante, implementada em território nacional, desenvolvida pelo Ministério da Educação, na qual atividades lúdicas e coletivas devem ensinar valores éticos, como o respeito às diferenças, ministradas por professores que receberão cursos capacitantes de libras, com uso de verba arrecadada pelo Governo Federal. Assim, tanto o despreparo de profissionais será extinto, quanto o preconceito cultural, pois, como afirmou Hellen Keller, a educação é a ferramenta mais poderosa para promover a inclusão e acabar com a intolerância.