ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 23/11/2017

O filósofo Aristóteles afirmou que devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, à medida de suas desigualdades. Obedecendo à esta premissa, a constituição brasileira garante educação inclusiva aos surdos. No entanto, vive-se no Brasil - devido a questões históricas e sociais - uma dificuldade em oferecer a essas pessoas uma oferta educacional e trabalhista de qualidade.

A princípio, é possível perceber que a dificuldade da nação tupiniquim em lidar com o diferente está enraizada na história do país. Nesse sentido, sabe-se que, já no século XVI, os indígenas sacrificavam as crianças nascidas com alguma deficiência e, seguindo essa ideologia excludente, apenas em 2002 foi criada uma escola voltada para surdos. Tal aspecto demonstra que, além de leis, uma mudança ideológica se faz necessária e prova disso é que, apesar da garantia constitucional à educação, as matrículas de surdos nas escolas diminuíram 50% em 5 anos, segundo o INEP.

Outrossim, deve-se considerar a desvalorização dos surdos no mercado de trabalho. Face a isto, apesar da obrigação legal que determina a contratação de deficientes pelas empresas, a presença de funcionários surdos nos estabelecimentos é algo incomum. Tangente a isto, o filósofo Zygmunt Bauman afirmou que o individualismo é uma das principais características - e maior conflito - da pós modernidade. Destarte, os contratantes, seguindo uma visão individualista que os impede de enxergar o diferente, não dão oportunidades às pessoas com deficiência auditiva, gerando assim uma sociedade desigual e excludente.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas interventivas para garantir os direitos dos surdos. Considerando a educação como primeiro e mais essencial passo para a mudança, o MEC, em parceria com as escolas e profissionais especializados, deve promover campanhas, destinadas a professores e alunos, que promovam a discussão sobre a importância de incluir e valorizar os surdos bem como a capacitação em comunicação com eles. Ademais, essa campanha educacional deve ser adotada pelo Ministério do Trabalho e divulgada nos grandes canais de TV, rádio e internet, de forma adaptada para alcançar os donos e gerentes de empresas, gerando assim visibilidade para esse problema. Para que dessa forma, o Brasil se torne um país que obedece a premissa de Aristóteles.