ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 23/11/2017

Desde as Eleições Presidenciais de 2014 é obrigatório, por lei, a apresentação dos debates entre os candidatos com tradução instantânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Isso representa um grande avanço do Brasil para com os deficientes auditivos. Entretanto, apesar desse progresso, em pleno século XXI, ainda há desafios para se obter uma formação educacional de qualidade para os surdos no Brasil. Tais obstáculos como a desinformação da maioria da população sobre a Língua de Libras e o preconceito social.

Nesse contexto, é importante salientar que boa parte da população brasileira desconhece a Língua de Libras ou nunca se interessou por ela, por uma falha no sistema educacional. Isso contraria a sociologia de Émile Durkheim, a qual afirma que o cidadão, como ser social e portador de deveres para assegurar o pleno convívio das pessoas em sociedade, saiba como conviver com  deficientes auditivos para que esses não sejam segregados socialmente. Dessa forma, a educação primária deve tentar corrigir essa falha.

Outrossim, é notável no dia a dia de muitos brasileiros, o preconceito que rodeia a vida das pessoas surdas, além do receio ou medo que muitas têm em conviver com  esses deficientes. Nesse viés, o filósofo Sartre, em sua obra “Ensaios sobre a cegueira”, o autor aborda a “cegueira social” que está presente em sociedade, através da qual muitas pessoas, simplesmente, ignoram os problemas que as cercam, o que explica o que acontece com muitos deficientes no Brasil. Desse modo, a educação e a mídia têm um grande papel para combater essa cegueira presente no Brasil.

Fica evidente, portanto, que os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil são, principalmente, o desconhecimento de grande parte da população sobre a Língua de Libras e o preconceito social que muitos deles sofrem. Logo, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, instituírem o ensino da Língua de Libras desde os anos iniciais nas escolas, para que futuramente, muitos surdos não sejam segregados socialmente. Ademais, o Ministério da Cultura, em parceria com a TV aberta, devem elaborar campanhas contra o preconceito que muitos surdos sofrem, bem como a abordagem do tema em novelas, já que essas conseguem amplo alcance midiático. Assim, como afirmou o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”: “Ainda há tempo (embora curto), de refletir e mudar nossa trajetória”, e conquistar uma formação educacional de surdos de qualidade no Brasil.