ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/11/2017

A inclusão dos portadores de deficiência auditiva no Brasil tem sido tema de debates e preocupações na espera social e educacional. Isso se deve ao fato de que, apesar de assegurado constitucionalmente pelo Estatuto do Deficiente o direito amplo e igualitário à educação qualificada, essa fatia demográfica presencia desafios que impedem o seu acesso absoluto, urgindo, pois, discutir suas causas e possíveis soluções.

Primeiramente, vale ressaltar que o modelo educacional vigente não colabora para que os surdos adquiram as mesmas oportunidades dos demais estudantes. Tal premissa pode ser evidenciada pela metodologia segregacionista de ensino, baseada, sobretudo, no desenvolvimento das capacidades cognitivas dos indivíduos considerados “normais”, esquecendo-se das limitações dos portadores de deficiência auditiva, o que acaba muitas vezes por isolar e permitir que se sintam incapacitados de alcançar suas habilidades intelectuais. Assim como afirma o filósofo Aristóteles, deve-se tratar o igual na medida de sua igualdade e o desigual na medida de sua desigualdade. De maneira análoga, a comunidade docente deve adotar políticas escolares de integração dessa minoria, tendo por base o incentivo ao desenvolvimento de seus talentos funcionais e garantindo que eles sintam-se inclusos como cidadãos autônomos e participativos.

Como consequência, outra questão enfrentada pela comunidade surda é o preconceito. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de coercitividade. Seguindo esse pensamento, o preconceito contra a pessoa com deficiência se encaixa na teoria do autor, visto que, se o indivíduo vive em um grupo social marcado pela não tolerância ao diferente e discriminação, tende a propagar esses valores. Tal fato se reflete, por exemplo, nas dificuldades dos surdos em serem reconhecidos no mercado de trabalho, pois, apesar de possuírem boa formação, são comumente ditos como desqualificados ou inadequados à profissão em questão.

Dessa forma, é necessária uma ação conjunta para que a lei vigente de inclusão dos deficientes surdos  torne-se, de fato, eficiente. Inicialmente, é preciso que o Ministério da Educação juntamente com centros universitários invista na maior profissionalização dos docentes, tornando obrigatório a especialização em libras na grade curricular para que saibam lidar com os estudantes surdos e o envio maior de intérpretes em sala de aula. Ademais, assim como afirma Paulo Freire, a instituição escolar deve buscar uma cultura de paz, estimulando o convívio com o diferente, por meio de palestras e vídeos motivacionais. Por fim, o poder midiático deve tornar de conhecimento público o preconceito enfrentado por essa minoria, por meio de telenovelas e companhas publicitárias motivacionais.