ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 28/11/2017
No Brasil, a educação de pessoas surdas tem barreiras no seu desenvolvimento. Essa realidade fomenta perdas de direitos a um grupo de cidadãos. Nesse sentido, a precarização das estruturas escolares e o preconceito no mercado de trabalho são um dos fatores que intensificam esse cenário prejudicial.
Em primeira análise, a precariedade da qualificação do corpo escolar é mantenedora de prejuízos à educação dos surdos. Desse modo, as escolas não possuem profissionais capacitados, que desenvolvam com qualidade a cognição desses alunos, e nem contam com infraestrutura e recursos tecnológicos que possibilitem esse processo. Com isso, o direito à educação para pessoas com deficiência, garantido pela Lei n° 13146, é negligenciado, e a oferta de espaços inclusivos reduzidos, afastando, portanto, esse público da busca por formação educacional, fato comprovado na pesquisa do INEP que demonstra um maior número de matrículas de alunos surdos nas escolas inclusivas.
Em segunda análise, a falta de aceitabilidade de deficientes auditivos no mercado de trabalho também é uma das fomentadoras de obstáculos à formação educacional desse público. Segundo Aristóteles, em Ética a Nicômaco, para que as ações de um indivíduo sejam virtuosas, elas devem ser equilibradas, sem excessos ou faltas, logo, em mediania. Contudo, a existência de preconceitos na sociedade contra as pessoas surdas e seus desempenhos laborais demonstra a falta de alteridade com esses cidadãos e incita a exclusão social deles. Dessa maneira, diante da perspectiva de ausência da garantia de trabalho, esse grupo adquire desinteresse em estudar.
Destarte, foi exposto que alguns obstáculos na formação educacional de surdos são realidade no Brasil. A fim de mitigar esse cenário, o Ministério da Educação deve melhorar a infraestrutura das escolas, por meio da implantação de espaços inclusivos e da capacitação do professores da rede de ensino em LIBRAS. Ademais, as Prefeituras devem reeducar o corpo social, mediante a criação da semana de valorização das diferenças, em que sejam executadas dinâmicas interativas para as crianças e palestras educativas para os jovens e adultos, que abordem os benefícios da inclusão social. Dessa maneira, ao utilizar a educação como minimizadora dos efeitos do preconceito aos surdos, poder-se-á melhorar a formação educacional deles.