ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/11/2017

A análise crítica dos aspectos sociais é contrária à visão resignada da massa popular. Como disse o ex- presidente norte-americano John Kennedy, o conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento. Em vista dessa condescendência social, observa-se que a problemática que envolve a formação educacional dos surdos no Brasil é um episódio relevante e com tendência a se perpetuar, caso não haja apreciação seria e resolutiva.

Na saga de filmes “X-men”, os jovens mutantes, por serem diferentes, sofrem bullying e ficam à margem da sociedade. Fora da ficção, situações similares são perceptíveis no âmbito social brasileiro, uma vez que, muitas vezes, as instituições escolares não estão preparadas para acolher um deficiente auditivo. Por conseguinte, esse indivíduo se torna alvo de bullying e preconceito, resultando, assim, em sua marginalização escolar e, consequentemente, social. Esse cenário, lamentavelmente, dificulta a formação escolar, profissional e social dos surdos.

Outrossim, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, disserta que a contemporaneidade se transfigurou em uma “era de liquidez”. Tal momento é caracterizado pela falta de empatia, ausência de afetividade e respeito com o próximo, o que resulta na não percepção do outro - cegueira moral. Em consequência dessa sociedade hiperindividualizada - termo utilizado pelo filósofo Gilles Lipodevesky, em seu livro “A era do vazio” -, os surdos encontram obstáculos para fomentar melhorias em suas formações educacionais.

Consoante o grande filósofo Nietzche: “Todo conhecimento implica poder”. Assim, ao se apoderar do conhecimento adequado, tem-se o poder para resolver ou minimizar esses problemas. Portanto, uma “conditio sine qua non” seria a existência de projetos de extensão universitária das faculdades de Pedagogia, Psicologia e Ciências Sociais com ciclos de palestras abertas à população acerca dos desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil e seus impactos para a sociedade contemporânea; ademais, “ad hok”, cabe ao Estado fomentar leis que obriguem as instituições escolares a aderirem a matéria Libras na grade curricular, com o objetivo de promover melhorias na inclusão educacional e social dos surdos. Observada essas ações conjuntas, o Brasil tornar-se-á mais justo, plural e inclusivo.