ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 01/12/2017

O Brasil é um país assolado pela dificuldade da aplicação dos direitos constitucionais do cidadão. O desafio para a formação educacional dos surdos evidencia tal fato e, portanto, deve ser combatido. A reflexão a partir do capitalismo e da falha estatal é precípua ao entendimento do tema.

O filósofo John Locke acreditava que o ser humano abre mão de sua liberdade natural em troca de direitos, assegurados pelo Estado, os quais permitem a convivência em sociedade. No ato da não garantia de tais direitos, é decretada a falência estatal. No Brasil, o direito à educação é uma lei constitucional, portanto, a dificuldade dos surdos na obtenção de formação educacional é, incontestavelmente, uma falha do estado. Dessa forma, a falta de alunos com deficiência auditiva nas escolas e universidades evidencia o exposto, e a falta de professores formados em libras, agrava a mazela.

Outro fator responsável pelo desafio enfrentado pelos surdos é a falta de incentivo da área posterior à obtenção da formação educacional, ou seja, o mercado de trabalho. O filósofo Nicolau Maquiavel dizia que os homens perpetuam seus atos através de seus interesses. No âmbito capitalista vivenciado no Brasil, a dificuldade de obter formação educacional por parte dos surdos é explicada pela falta de oportunidades no mercado de trabalho, ocasionada pela consolidação dos ideais capitalistas na economia, os quais associam deficiências humanas à improdutividade. Dessa forma, a admissão de surdos no mercado de trabalho não é um interesse dos empregadores e a mazela é perpetuada.

À luz do exposto, a dificuldade dos surdos em obter formação educacional, no Brasil, é causada pela falha do Estado e ideais do capitalismo. Para solucionar a mazela, o Governo Federal, junto com o Ministério da Educação, deveriam, através de investimentos, promover a capacitação de professores em libras, para que a comunicação nas salas de aula não seja uma dificuldade para os surdos. Além disso, os Governos Estaduais poderiam oferecer descontos tributários às empresas as quais admitirem deficientes auditivos, para incentivar os mesmos a buscarem formação educacional. Dessa forma, a mazela seria solucionada e a educação seria um direito de todos.