ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 02/12/2017

Excluída, subjugada e desrespeitada, essas são algumas expressões que definem a atual situação de grande parte da população surda brasileira que, em virtude da falta de estrutura nas escolas e devido ao preconceito sofrido nesse ambiente, é privada do direito à educação. Há aqueles que consideram que o país venceu tais entraves, outros, no entanto, acreditam que esses desafios persistem no sistema educacional brasileiro. Em uma análise aprofundada da situação, observa-se que devido a persistência de tal realidade grande parte da população surda do Brasil é privada do direito a formação educacional, situação que deve ser combatida.

Outrossim, há quem acredite que devido à ação do Instituto Nacional de Educação de Surdos(INES) o país conseguiu adaptar seu sistema educacional a fim de tornar-se capaz de fornecer uma educação de qualidade para os deficientes auditivos. Entretanto, há de se considerar que, mesmo com o apoio dessa instituição, o Estado falha em fornecer condições adequadas para a formação escolar da população surda, principalmente pelo fato de não conseguir fornecer tutores em quantidade suficiente para acompanhar a rotina dos alunos e por não conseguir implementar o ensino de LIBRAS nas escolas, a fim de permitir a formação educacional desses jovens. Dessa forma, assim como revelado por dados do INEP, o número de alunos surdos matriculados em escolas comuns ou especiais caiu consideravelmente entre 2011 e 2016 em virtude de diversos fatores, dentre eles a evasão escolar.

Ademais, vale destacar que, além da falta de estrutura nas escolas, outro entrave para a formação educacional dos surdos no Brasil  é o preconceito sofrido por esse grupo, no ambiente escolar. Visto que, devido a ausência de medidas de inclusão nesse espaço, eles não são reconhecidos como iguais por outros estudantes, uma vez que, assim como proposto por Weber, um grupo se identifica pelas características que compartilham em comum. Por conseguinte, como os alunos surdos são reconhecidos como diferentes, tornam-se alvo de exclusão e violência nas escolas.

Torna-se evidente, portanto, que persistem no sistema educacional brasileiro diversos entraves para a formação educacional de jovens portadores de deficiência auditiva, situação que deve ser combatida. Cabe às ONGs, voltadas para o auxílio de surdos, em parceria com o Ministério da Educação, implementar nas escolas, tutores especializados em LIBRAS para acompanhar a rotina escolar dos alunos portadores de deficiência auditiva, visando, assim, fornecer suporte educacional necessário para o desenvolvimento cognitivo, social e pessoal do aluno. Compete ao Ministério da Educação implementar nas aulas de filosofia e sociologia do ensino médio, debates sobre  o respeito nas escolas, visando coibir atitudes preconceituosas contra esse grupo e garantir sua inclusão no ambiente escolar.