ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 05/01/2018

Karl Marx, pensador alemão, acreditava que os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas condições e situações, já que produzem suas existências em grupo. Nessa lógica, torna-se pontual compreender que as dificuldades da inclusão dos surdos é decorrente de falhas existentes no ambiente ao qual esses indivíduos estão inseridos. Isso significa que a ineficiência da lei juntamente ao preconceito sofrido por essas pessoas, são fatores que corroboram com a persistência do desafio.

Em primeira análise do problema, nota-se que mesmo previstas constitucionalmente, as leis que asseguram os direitos a educação e inclusão da pessoa com deficiência, ainda se mostram defazadas quanto a sua efetivação. Essa questão é pertinente, uma vez que nas escolas “comuns”, responsáveis por receber a maior parte dos alunos especiais, ainda sofrem com déficites na estrutura. Como exemplos, destacam-se a falta de materiais didáticos inclusivos e a capacitação de professores para trabalhar com esse público. Vê-se então um processo de segregação desses indivíduos, em detrimento de sua inclusão.

Outra razão fundamental para a consolidação desse tipo de pensamento, é o fato de que a discriminação e o preconceito se fazem presentes nas salas de aula. A prática repetitiva de agressões, sejam físicas ou pisicológicas, conhecida como bullying , acaba que por afetar os deficientes auditivos, de modo que, por suas diferenças, acabam se tornando alvos. Essa situação tem como reflexo, segundo dados do Inep, a diminuição do numero de matrículas de alunos surdos nas escolas do país.

O posicionamento assumido nessa discussão demanda duas medidas pontuais. A princípio o Governo Federal, aliado à esfera Estadual e Municipal do poder deve, por meio de projetos e repasses de verba, investir na estruturação das escolas, fornecendo materiais adequados e o curso de libras para a capacitação de professores, a fim de fornecer condições ideias aos alunos. A outra medida deve ser fomentada pelas Secretarias de Educação de cada estado, que por intermédio de assembleias e palestras, promovam uma ampla discussão sobre aceitação ao diferente, a fim de atenuar o problema do preconceito. Com esses direcionamentos os indivíduos, como advoga Marx, poderão coexistir de maneira mais justa e igualitária.