ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 25/10/2024

A Constituição federal de 1988, foi esboçada com o objetivo de delinear direitos básicos para toda a população — como o acesso à educação. Contudo, hodiernamente, tal postulado é deturpado mediante a formação educacional precária de surdos, no Brasil, que afeta a qualidade de vida e o desenvolvimento dessas pessoas . Acerca disso, para se discutir de forma mais ampla, hão de ser analisadas a inércia estatal e a ausência de debates.

A priori, a omissão governamental fomenta a desqualificação do ensino de surdos. Nesse sentido, conforme o contratualista Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir as medidas necessárias para o bem-estar dos cidadãos. No entanto, essa premissa não tem ocorrido, em razão da carência de políticas públicas capazes de promover a inclusão dessas pessoas, como a implantação de programas que ofertem ensino de Libras nas escolas e universidades públicas. Assim, a falta de ação política reforça o problema dessa lacuna educacional.

Ademais, a marginalização de instrução dos deficientes auditivos também ocorre devido ao silenciamento. Sob essa ótica, a filósofa brasileira Djamila Ribeiro afirma que para se intervir em uma situação, antes, é preciso tirá-la da invisibilidade. Não obstante, o cenário nacional destoa desse pensamento, haja vista que a falta de discussões sobre negligências no ensino de surdos contribui para perpetuar a alienação quanto às necessidades específicas do desenvolvimento e aprendizado desses indivíduos. dessa forma, enquanto essa nebulosidade ocorrer, o Brasil continuará enfrentando uma das maiores questões da educação inclusiva: a falha na educação de pessoas surdas.

Portanto, medidas interventivas necessitam ser tomadas para reverter essa situação. Logo, cabe ao estado, instituição estabelecida para exercer poder político sobre o corpo social, promover uma formação inclusiva que atenda os deficiêntes auditivos. Fará isso por meio da criação do programa “Inclusão Surda”, que será responsável por capacitar profissionais da educação na ministração de aulas bilíngues, com Libras como segunda língua, a fim de que o direito prometido na Constituição seja efetivamente ofertado.