ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 11/03/2018

Novos papéis, novos autores

De acordo com Oscar Wilde, escritor britânico do século XIX, " O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação. Dessarte, é preciso, pois, sair da inércia e estipular - de maneira consciente - medidas cuja asserção seja combater o descaso com a formação educacional dos surdos no Brasil. Em vista disso, é de suma relevância uma análise mais abrangente das circunstâncias, tendo em vista, mormente, atenuar seus impactos.

Em primeiro lugar, é imperioso considerar que necessidades básicas dos deficientes auditivos são deixadas de lado. Dessa forma, sob uma lógica empirista e, também racionalista, essa situação se insere na frase de Foucalt, " A vigilância é o melhor caminho para o exito". Com isso, mesmo longe de uma análise psicanalista, essa frase resume bem o que os surdos vêm enfrentando na educação brasileira. Isso porque, teoricamente, existem projetos que visam instituir uma educação mais abrangente aos mesmos, mas na prática existem muitas lacunas a serem preenchidas. Isso se evidência, por exemplo, quando os professores que lecionam as matérias não têm especialização em LIBRAS - Língua de Sinais - e a própria estrutura escolar não tem condições de receber as pessoas com surdes. O problema, porém, não se resume a essa situação.

Outrossim, é precípuo considerar o preconceito acerca da capacidade cognitiva dos deficientes auditivos. Diante disso, na história antiga, a sociedade espartana, dotada de grandes guerreiros, tinha como premissa a perfeição dos seus cidadãos, e o que fugia disso era considerado uma anomalia. Pois bem, em pleno século XXI, parece que não houve grandes mudanças, haja vista que o que foge ao senso comum tende a ser excluído e não ser digno de receber os mesmos benefícios. Isso se evidência, sobretudo, na educação de pessoas com surdes, a qual recebe pequenos investimentos, se designando, assim, em uma sociedade aristocrática onde há disparidades de direitos. Logo, a situação em voga requer medidas consistentes e abrangentes.

Urge, portanto, a proeminência de medidas para esse revés. Primeiramente, cabe ao governo e às escolas, em parceria, condicionar cursos de libras a todos os professores e, também, por meio de palestras instruí-los a lidar com pessoas com surdes. Ademais, o Estado também poderia, por meio de cursos técnicos - SENAI e SENAC - condicionar uma integração desses deficientes auditivos no mercado de trabalho. Quem sabe assim, compreendamos que as inquietudes levam a mudanças, e como disse Gilbert Cesbron, " As revoluções acontecem quando mudam os papéis e não apenas os autores".