ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/03/2018

Desde as civilizações mais antigas até alguns povos indígenas recentes, o indivíduo portador de algum tipo de deficiência era tido como imperfeito e, portanto, inapto para viver em sociedade, sendo liberada a prática do seu assassinato. Em se tratando de Brasil contemporâneo, uma classe especial de deficientes, a dos surdos, não sofre com tal aversão aos direitos humanos, porém precisa lidar com outros desafios: falta de motivação para estudar e carência de apoio especializado das escolas.

De início, é necessário indicar a pouca motivação que os deficientes auditivos possuem para estudar. Tal fato ocorre em razão de tais indivíduos não se sentirem parte do processo educativo, se enxergarem como diferentes e, por vezes, incapazes. O médico e escritor Viktor Frankl disse que o homem pode suportar tudo, exceto a falta de sentido. E é por meio de tal assertiva que fica evidente o motivo de as matrículas de surdos em escolas brasileiras terem decaído desde 2011, segundo dados do Inep: falta um sentido a ser buscado por tais deficientes. Assim, uma boa educação inclusiva pode suprir tal carência.

Cabe elencar, ainda, a falta de estrutura comunicativa da maioria das escolas brasileiras para o ensino dos surdos. Embora desde 2002 a Língua Brasileira de Sinais tenha sido reconhecida e oficializada no país, não é prioritário o seu ensino a todos os estudantes, o que dificulta a comunicação entre os colegas no âmbito escolar. Aristóteles já dizia que o homem é um ser social, precisa viver em comunidade e estabelecer relações interpessoais. Assim, uma vez que tal princípio é negado, não há como haver um aprendizado sumariamente efetivo.

Destarte, é mister haver mudanças nas escolas brasileiras para que, enfim, se contorne os desafios mencionados. O Ministério da Educação, por meio do tratamento adequado de professores, deve incluir o ensino da Língua Brasileira de Sinais nos currículos acadêmicos de todos os estudantes, para que a comunicação entre eles seja possibilitada e não haja qualquer ponte entre os seus interesses. Além disso, as escolas devem apresentar palestras que estimulem a criação de um sentido na vida por meio da educação.