ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 18/04/2018

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo falecido em janeiro deste ano, nenhum país que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para os problemas que o afligem. Nessa perspectiva, tornam-se passíveis de discussão as adversidades enfrentadas pela sociedade brasileira no que tange aos desafios para a formação educacional dos surdos. Logo, coletividade e poder público devem unir-se objetivando atender essa demanda social.

Não se pode negar que a escola é um ambiente excludente para essa população. Tal fato é comprovado pela flagrante separação de turmas no ambiente educacional entre alunos ‘’especiais’’ e alunos não-deficientes. Essa segregação social estimula a criação de estereótipos negativos aos portadores de deficiência auditiva como os de incapacidade e de invalidez. Somado a isso, o espaço escolar é precário, principalmente nos colégios públicos em que faltam profissionais especializados em Libras. Deste modo, é de conhecimento geral que apesar da Lei nº 13.146 garantir educação aos surdos, ainda há espaço para melhora no campo educacional, sobretudo para inclui-los na vida social.

Em consequência disso, a ausência de escolaridade compromete a profissionalização e entrada no mercado de trabalho dessas pessoas. Conforme dados do Inep, menos de 2% da população de surdos é matriculada na educação básica, número baixíssimo para um país populoso como o Brasil. Em vista da escassez de pessoas dessa área com formação educacional, torna-se quase impossível elas encontrarem emprego por conta da dificuldade de se comunicarem, por exemplo a de utilizar as tecnologias das telecomunicações e pela discriminação de seus perfis. Diante disso, é notório que fica comprometido aos deficientes o alcance do seu próprio potencial por meio da aprendizagem, porque, dessa forma, é muito difícil inclui-los na vida profissional, ferindo a garantia do direito à vida digna a qual o país prometeu na Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu Artigo 1º.

Por tudo isso, é imperativo que  todos os setores sociais cooperem a fim de garantir educação inclusiva aos surdos. Para tanto, a sociedade civil, com o apoio de ONGs e associações que militam nesta área, deve por meio de petições e manifestações em locais públicos e redes sociais pressionar o Estado para construir e por em funcionamento escolas com professores formados em Libras e turmas mistas, para garantir igualdade e respeito à essa minoria. Ademais, a mídia deve abordar a inclusão do deficiente na vida profissional como tema de suas telenovelas, visto que causa forte impacto na vida social. E ainda, empresas de grande porte podem contratar 50% de profissionais deficientes em cargos de chefia, visando combater a discriminação. Assim, daremos passos mais firmes na direção da inclusão.