ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 21/03/2018

No início da divulgação cinematográfica pelo mundo, os filmes de Charles Chaplin foram fundamentais à reflexão social, mesmo desprovidos de sonoridade. Nesse viés, infere-se que educar uma sociedade não requer, necessariamente, uma manifestação sonora, pois o Cinema Mudo foi exemplar nessa tarefa. Destarte, a educação de deficientes auditivos deve ser realizada de maneira digna, visto sua plena possibilidade de ocorrência; entretanto, isso é um fator desafiante ao Brasil - seja pelos entraves que as escolas públicas e privadas exercem para a inclusão dos surdos, seja pelo descaso nacional para com eles. Exordialmente, a educação brasileira não oferece recursos dígnos para que os surdos ingressem-na de maneira igualitária. A exemplo disso, deve-se ressaltar a existência de escolas “especiais”, onde esses indivíduos terão uma instrução educativa diferenciada e só conviverão com outros portadores de deficiência. Isso ocorre, decerto, em visão das instituições públicas e privadas de ensino não terem como objetivo o ingresso dessas pessoas, devido, principalmente, à falta de profissionais capacitados em Libras e a não exigência desses no corpo docente escolar. Desse modo, essa minoria sofre o desestímulo frente à sua formação estudantil, comprovado pela queda de suas matrículas tanto em classes comuns quanto em diferenciadas, diminuindo quase a metade nesse segundo caso, de acordo com o Inep. Em segundo plano, o filósofo Immanuel Kant retrata a ética como um fim à sociedade, o que denota um respeito abrangente a todos os cidadãos. No entanto, a nação brasileira contrapõe essa tese com o simples ato de assistir televisão, pois os principais canais não disponibilizam um intérprete para surdos em suas programações, o que limita o acesso desses deficientes ao conhecimento cultural e jornalístico oferecido pela mídia. Esse caráter antiético, assim, não respeita as diversidades, e é um descaso para a educação informal, ou seja, o ensinamento que o indivíduo adquire em seu convívio social. Urge, portanto, que os desafios impostos educacional e socialmente aos portadores da surdez sejam removidos das características nacionais. Visando mitigar a ineficiência educativa e inclusiva no Brasil, o Poder Legislativo poderia criar uma lei que impusesse, de forma obrigatória, que as escolas públicas e privadas tenham, ao menos, um profissional capacitado em Libras e uma sala destinada aos surdos. Para isso, é essencal que o Ministério da Educação atue em conjunto, atribuindo o ensino dessa língua como matéria requerida nos cursos de licenciatura, o que produziria recém-formados áptos ao problema do país. Ademais, o Governo Federal, com seus órgãos reguladores da mídia, deve exigir que os canais televisivos tenham um intérprete em todos os programas, mediante processo jurídico caso isso não ocorra, o que tornaria o conhecimento informal mais acessível. Dessa maneira, a ética de Kant poderia ser alcançada, e seus efeitos seriam similares à produção artística de Chaplin.