ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 22/03/2018

A Constituição Federal de 1988 garante a todos, sem distinção, o direito à educação, e o país avança crescentemente em relação ao desenvolvimento de políticas de inclusão de pessoas com deficiência, como demonstra a sanção da lei que reconhece e incentiva a difusão da Língua Brasileira de Sinais. Entretanto, é comum que, principalmente os indivíduos com deficiência auditiva, encontrem barreiras no aproveitamento desse direito básico, seja pela falta de profissionais preparados, seja pela persistência do preconceito.

Sabe-se que a escola é o primeiro ambiente de inserção do jovem no meio social e, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Todavia, há um número insuficiente de professores qualificados para atender a população com necessidades especiais, representando um obstáculo para o exercício da cidadania desses alunos, que necessitam de instituições que ofereçam tradutores e intérpretes de LIBRAS em sala de aula. Dessa forma, a legislação que oficializa a linguagem de sinais deve ser acompanhada de uma estrutura de ensino preparada para aplicá-la, a fim de se obter a manutenção dos princípios de inclusão e igualdade.

Além disso, é importante destacar o preconceito que esse grupo vem sofrendo ao longo da história. A falta de informação gera uma percepção distorcida sobre a capacidade dessas pessoas que, muitas vezes, não possuem acesso a atividades essenciais para o desenvolvimento humano, como esportes, cultura e lazer. Sessões de cinema e teatro, por exemplo, geralmente não estão aptas para receber públicos com algum tipo de deficiência. Assim, segundo Emile Durkheim, o fato social é uma forma coletiva de agir e pensar e, nesse sentido, percebe-se a existência de uma cultura de exclusão desses indivíduos.

Portanto, há um longo caminho a ser percorrido na garantia da formação educacional dos surdos no Brasil, aliado à superação da discriminação. Para isso, é imprescindível que o Estado invista na qualificação e especialização de seus educadores, oferecendo cursos de capacitação, além de promover projetos que informem a importância do conhecimento de LIBRAS na sociedade como um todo, por meio de eventos, palestras ou pela mídia. Faz-se necessário, ainda, que as escolas tenham atividades que incluam todos os estudantes, como esporte, teatro, música e dança, evitando a marginalização desses alunos. Afinal, como afirmou Maquiavel: ‘’uma mudança sempre deixa o caminho aberto para outras”.