ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/03/2018

Inclusividade prática na educação

Durante a vinda da família real para o Brasil, no século XIX, houve um considerável desenvolvimento no sistema educacional brasileiro, com a construção de escolas e universidades. Além disso, foi nesse período que ocorreu a criação da primeira escola para surdos no país. Entretanto, destoante desse período, percebe-se, na contemporaneidade, uma preocupação mínima com a formação educacional dos portadores de surdez. Nesse fito, seja pelo despreparo dos centros educacionais, seja pelo preconceito, a questão representa uma problemática para a escolarização da  comunidade surda.

Em primeiro plano, é primordial ressaltar que as instituições de ensino são despreparadas para atender os alunos com esse tipo de deficiência auditiva. Sob tal perspectiva, as creches, escolas e universidades brasileiras percebe-se, não-raro, devido aos escassos investimentos estatais na área, a falta de docentes e intérpretes da língua brasileira de sinais (LIBRAS), aliado à falta de tecnologias específicas para assistência cognitiva do indivíduo surdo. Assiste-se, assim, no país, uma situação paradoxal, onde, ao passo que a Lei Brasileira de Inclusão prega que deve haver uma educação inclusiva para o surdo, a prática mostra o contrário.

Outro fator preponderante para a questão é o preconceito da sociedade, inclusive da família da pessoa surda. Émile Durkheim, sociólogo frânces, afirmou que fato social é o modo de pensar e agir coletivizado. Baseado nesse contexto, o fato social observa-se na forma como se tratam os surdos, no que tange a educação. Assim, observa-se que toda a sociedade e até a família, célula mater na socialização do individuo, tende a considerar minimizada a capacidade mental e motora do individuo que não pode ouvir. Isso ocasiona uma resistência para toda a camada não ouvinte da sociedade, como a dificuldade em conseguir emprego no mercado de trabalho formal ou oportunidades de pós-graduação no ensino superior.

Posto isso, cabe ao Governo Federal, figurado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), abrir, nas universidades públicas, federais e estaduais, cursos de especialização em LIBRAS para os pedagogos e docentes da educação, para a formação de lecionadores e intérpretes qualificados para a sala de aula, trazendo à tona a conjuntura bilíngue do Brasil. Além disso, compete às prefeituras municipais a criação de centros de debate, envolvendo todas as camadas da sociedade, com palestras de médicos, psicólogos e pessoas surdas, a fim de inserir esse público na sociedade. Desse modo, talvez, poder-se-á, no Brasil, construir uma realidade de convívio harmônico entre ouvintes e surdos.