ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 27/03/2018

O chamado Darwinismo Social, introduzido na história no século XIX, trouxe consigo a noção preconceituosa de superioridade de um indivíduo sobre outro baseada, sobretudo, em características físicas, como a cor de pele, bem como a integridade física. Fundamentada desde então, a marginalização de deficientes físicos, principalmente surdos, perdura na contemporaneidade brasileira, uma vez que a real inclusão e mantimento destes nos mais variados âmbitos é de difícil consolidação. Infere-se que, a partir da análise da frase do político Nelson Mandela, que afirma que a educação é a maior arma para mudar o mundo, a formação educacional de surdos é um assunto amplamente discutível.

Em primeira instância, é válido pontuar que significativa parcela dos colégios nacionais não apresenta a estrutura necessária para não apenas incluir surdos na educação básica de maneira efetiva, mas também estabelecer um ensino igualitário entre deficientes e os demais estudantes. Parafraseando o determinismo de Lamarck, em que as espécies são fruto das pressões do meio, nota-se que os meios educacionais, ao não fornecerem condições ideais à aprendizagem de deficientes auditivos, como material específico e profissionais especializados a essa população, contribuem para um ensino defasado ou, ainda, evasão escolar. É preocupante o dado apurado pelo INEP de que, desde o ano de 2012, a quantia de alunos surdos matriculados em escolas do país tem diminuído significativamente.

Outrossim, destaca-se a precária atuação da população surda no mercado de trabalho. Assim, mesmo deficientes auditivos que completaram a educação escolar e até a graduação, encontram dificuldades em desenvolver, sem nenhuma barreira, os talentos e habilidades desenvolvidos ao longo da carreira. Tal como as rochas sedimentares são formadas de forma lenta, gradual e fragmento a fragmento, as barreiras sociais que dificultam a manifestação educacional dos surdos, como preconceito, são complexas e resistentes.

Segundo o filósofo Confúsio não solucionar nossos impasses é o mesmo que cometer novos erros. Depreende-se, portanto que, para garantir o direito à educação aos surdos, direito assegurado no  Artigo 5° da Constituição Federal, é necessário que uma força  atue para retirar a situação de seu estado de inércia. É necessário, pois, que o MEC, a fim de possibilitar aos surdos o entendimento da aula e realização de atividades, intensifique, nas escolas, a atuação de profissionais capacitados na língua de sinais, bem como, a partir do lucro obtido pelos royalties de petróleo, disponibilize materiais escrito em libras.