ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 03/04/2018

Na série americana “Switched at Birth” - Trocadas na maternidade -, Daphne, a protagonista, é surda e essa deficiência lhe causa diversas limitações como dificuldade de interação na escola e demissões. Em terras tupiniquins a realidade não é diferente, visto que portadores dessa deficiência são, por vezes, impedidos de desfrutarem da cidadania plena, ficando à margem do direito social à educação. Nesse cenário, evidencia-se a negligência estatal e o desconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) por parte da sociedade em geral como principais obstáculos à educação dos surdos no Brasil.

Em primeiro plano, vale ressaltar o descaso do Estado em não fornecer acesso adequado à educação para os portadores de problemas auditivos. A falta de escolas especializadas, bem como de profissionais capacitados para lidar com alunos que não podem ouvi-los, subjuga esse grupo a uma educação de baixa qualidade e com pouca imersão nos conteúdos. Tal precariedade traz consequências para toda a vida, dentro e fora da escola, haja vista que, corroborando com as ideia do filósofo alemão Immanuel Kant, o homem é o que a educação faz dele. Desse modo, o aluno surdo terá dificuldades posteriormente para disputar por vagas em universidades e no mercado de trabalho.

Além disso, deficientes auditivos encontram dificuldades de comunicação em escolas de ouvintes. A escola é onde o estudante passa boa parte da sua vida, e estar em um ambiente no qual sua língua é minoritária gera uma situação natural de exclusão, dificultando a convivência, realização de trabalhos em equipe, desenvolvimento de laços de amizade e, consequentemente, o aprendizado. Assim, os surdos têm de lidar com a sensação de serem constantes estrangeiros dentro de sua própria terra, restringindo seus ciclos de interações a outros surdos e prejudicando o que Aristóteles acreditava ser uma necessidade básica do homem: viver em sociedade.

Nesse sentido, medidas públicas devem visar a alterar esse âmbito. Para isso, urge que o Estado direcione investimentos para, com apoio das Secretarias de Educação, criarem-se turmas especializadas para surdos, nas escolas atuais, capacitando professores e comprando materiais escolares voltados para essa limitação, a fim de que os alunos se sintam inclusos e capazes de desenvolver suas atividades estudantis, aumentando também a procura das instituições de ensino por eles. Outrossim, é fundamental que o Ministério da Educação inclua o estudo de libras na matriz curricular dos ensinos fundamental e médio, ampliando a fatia da sociedade fluente nesse idioma e facilitando a vida de tantas Daphnes que ainda se sentem aquém da experiência social integral.