ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 09/11/2018

No século xx, a banda brasileira Engenheiros do Havaí, através da canção “terceira pessoa do plural”, alertava a sociedade em relação a indução de atitudes individuais no ambiente social através da TV. No entanto, hoje, o grande impasse a ser resolvido diz respeito à manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. Diante disso, é preciso expor a falta de interferência do Estado no ambiente digital e de instrução seja escolar ou familiar, como contribuintes para a existência do impecilho na atualidade.

O filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a liberdade humana é uma qualidade intrínseca ao indivíduo, capaz de lhe dar direito ao livre pensar e à consideração por parte do Estado. No entanto, e notável que o poder público não cumpre seu papel enquanto agente garantidor da liberdade de pensamento, visto que não limita o acesso de dados que as grandes corporações dispõe, causando um inrespeito descomunal à sociedade. A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os cidadãos, é percebida pela falta de leis que limitem o uso de dados dos usuários da internet, por parte da indústria Cultural, que através da inteligência artificial mapeiam os gostos do indivíduo e induzem seu comportamento na rede fornecendo-lhes produtos de acordo com seus interesses e não com a real necessidade do indivíduo.

Outro fator a ser destacado é a falta de educação digital no ambiente escolar e familiar. Observa-se que as escolas não oferecem uma educação tecnológica aos alunos com base no uso critico da “rede”, deixando-os, assim, vulneráveis aos interesses das grandes corporações. Ademais a falta de debate familiar, colabora para que o indivíduo seja cada vez mais alienado e frustrado na vida real, visto que, na internet ele encontrará somente aquilo que o agrada mas na “mundo real” ele verá que não vai poder ter tudo o que lhe agrada e  quando encontar alguem com opinião diferente da sua será intolerante.       Destarte, é evidente que o combate à problemática só será efetivo numa perspectiva intersetorial. Portanto, o Poder Judiciário deve criar leis que proíbem a indução do comportamento de usuários do “mundo on-line”, garantindo assim a livre escolha pelo indivíduo do que irá consumir. Por outro lado, as escolas em parcerias com os centros tecnológicos universitários, deve promover uma matéria nas escolas ministradas por sociólogos e cientista engenheiros, com o objetivo de despertar o senso crítico no indivíduo para que ele possa escolher aquilo que é melhor pra ele e não o que é melhor para os grandes cooglomerados.Por último a família, através do debate, deve ensinar os seus filhos que a sensação de liberdade de escolha proporcionada pela internet é ilusória, e que na vida real ele não irá poder fazer tudo aquilo que desjar.Talvez assim nossa sociedade derá mais instruidas do que induzida.