ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 09/11/2018
Pseudoescolha: a ilusão do livre-arbítrio no meio virtual
Jean-Paul Sartre, importante filósofo existencialista, propôs em seus estudos que todo homem está condenado à liberdade de escolha. Atualmente, como resultado direto da globalização, o uso da internet cresce progressivamente, de modo a interferir na convivência do indivíduo em sociedade, tornando-o passível a manipulações e ferindo os ideias liberais.
Nesse contexto, desde a invenção de uma máquina semelhante ao computador, por Alan Turing, aos avanços tecnológicos contemporâneos, criaram-se condições para tornar a sociedade alienável. Diante disso, a influência direta da internet atua na formação de bolhas sociais intrínsecas ao usuário, uma vez que muitas empresas utilizam-se de algoritmos para distribuição estratégica de informações na rede a fim de atingir consumidores em potencial. Dessa maneira, a seleção artificial de dados fere não apenas a isonomia do usuário, como também seu livre-arbítrio.
Além disso, de acordo com uma pesquisa sobre a internet no Brasil, realizada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, grande parte do público virtual é formado por crianças e adolescentes, evidenciando o perigo da manipulação comportamental pelo controle de dados. Dessa forma, a ilusão de escolhas cria barreiras que dificultam o pensamento crítico, atuando na formação de indivíduos influenciáveis e de fácil controle. Sob esse viés, já que segundo Paulo Freire é preciso conhecer o mundo antes de transforma-lo, urgem medidas que solucionem a problemática.
Assim sendo, para valorizar o conceito de liberdade de escolha defendido por Sartre e impedir a manipulação do usuário, é necessária uma ação conjunta entre Estado e sociedade. Desse modo, a adoção de um sistema prévio de aviso que alerte o indivíduo acerca da seleção artificial de informações e o cumprimento às diretrizes do Marco Civil da Internet, monitorado pelo Governo Federal, limitando o uso de algoritmos por empresas, contribuirá na formação de internautas conscientes e autocríticos. Ter-se-á, portanto, uma sociedade mais justa, ética e democrática.