ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 09/11/2018

George Orwell em seu livro, 1984 denuncia os abusos e manipulações de informações do Estado sobre a população. Não diferentemente, hoje, as grandes empresas cumprem o papel do Grande Irmão colocando seus interesses políticos e econômicos à frente da realidade. Dessa forma, medidas para o pensamento independente e a liberdade individual devem ser colocadas em discussão.

Primeiramente, o uso de dados os quais as redes sociais possuem é pouco esclarecido e seus usuários ficam à margem desse assunto. Nesse sentido, os bilhões de dados gerados todos os dias na internet podem ser utilizados na geração de um conteúdo próprio que influencia nas opiniões e decisões da população. Como exemplo, as eleições de 2016 nos Estados Unidos a qual contou com notícias e informações vinculadas a um candidato, realizadas por uma empresa, atingiu um público-alvo minuciosamente padronizado por esses dados. Assim, é indiscutível o poder dessa nova manipulação que, ainda com pouca informação sobre ela, causa cegueira e uma monocromia na sociedade sobre assuntos em voga.

Além disso, a falsa liberdade que se encontra na internet é fato central no controle do comportamento do usuário. No contexto atual, empresas como a “Google” podem saber os lugares mais frequentados por um certo perfil da sociedade e assim, divulgar esses dados sem permissão prévia à empresas na promoção de um novo produto. Insere-se a isso, o pensamento do filósofo contemporâneo Foucault que estudou o modelo de vigilância prisional ininterrupta amplamente difundida no cotidiano como câmeras de vigilância em estabelecimentos, rodovias e que toma uma nova proporção com os dados da internet. Logo, a desvinculação completa desse mundo fiscalizado 24 horas é utópica, mas a clareza e uma legislação própria para o conhecimento de sua utilização é necessária.

Fica claro, portanto, que a sinergia entre governo federal e as empresas que contém essas informações serão as responsáveis para a mudança nesse quadro. O primeiro, na realização de leis federais para saber a destinação exata dessa informação, desenvolvendo uma plataforma governamental a qual informe o público se a rede social vinculou sua localização, páginas que o indivíduo segue e seus compartilhamentos para que a liberdade, garantida em Constituição, seja respeitada. A segunda, em regras de privacidade mais claras como textos dessas políticas de privacidades mais curtos e ainda vídeos reproduzidos no ato de se acessar o site para o esclarecimento desse uso. Essas medidas são de forma geral preventivas para que a população mundial não se torne uma aldeia global do Grande Irmão.