ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 10/11/2018

Após os atentados do Onze de Setembro nos Estados Unidos, foi instaurado pelo então presidente George Bush o Ato Patriota, documento que normatiza o rastreamento de informações pessoais nos meios de comunicação, em especial na internet, sob o pretexto de prevenir atentados semelhantes. Esse documento foi o precedente para a coleta e o armazenamento cada vez maior de dados pessoais não só pelo governo, mas por multinacionais da comunicação como o Google e o Facebook.

Muitas vezes, tais dados são filtrados para refinar desde anúncios publicitários até resultados de pesquisas exibidos ao internauta de acordo com seu perfil. Termos de uso e de privacidade são, em geral, desnecessariamente longos e se utilizam de excessivo jargão legal, dificultando a sua compreensão e dissuadindo sua própria leitura, não sabendo o usuário, portanto, quais de suas informações são armazenadas, como são filtradas e para que propósito.

Desse modo, com a opacidade e a falta de regulamentação desse processo, torna-se fácil para as gigantes da internet exibirem aos seus usuários apenas o que lhes convém. Apesar da filtração de dados possuir usos ingênuos, como a personalização de anúncios publicitários, também permite que essas redes exibam aos seus usuários apenas conteúdo que estas desejam que seja visualizado.

Com tudo isso em mente, é perigoso deixar que essas empresas moldem a interpretação da realidade de milhões como bem entendem, visto seu poder de formação de opinião. Cabe à sociedade civil pressionar estas empresas por maior transparência sobre o uso dos seus dados, e também aos governos nacionais incorporarem esse debate em suas pautas políticas e criar mecanismos legislativos para proteger os dados e a opinião da sua população.