ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 12/11/2018

O acesso à internet possibilitou à sociedade humana o desenvolvimento de novas técnicas de comunicação, o que permitiu a quebra de fronteiras nas relações internacionais e, consequentemente, a globalização. O fato é que, diante de uma sociedade ávida por produtos que satisfaçam seus anseios, a internet passa a ser intermediária do processo capitalista ao captar e fornecer dados que contribuem para tal, inobservando os diretos e a privacidade dos usuários.

É sabido que a Revolução Industrial proporcionou aos indivíduos novas perspectivas de consumo. Com o Toyotismo as escolhas individuais caracterizam os produtos a serem fabricados e há, diante dessa teoria, o desejo de se criar parâmetros que sintonizam o maior número de perfis com características em comum a fim de maximizar a produção e a venda de um produto que corresponda às especificidades desse grupo.

No entanto, essa seleção nem sempre é benéfica ao consumidor. A disponibilidade de publicidades direcionadas, ou seja, selecionadas de acordo com os dados de navegação do usuário da internet, pode ser caracterizada como um rompimento da privacidade já que a priori utiliza de dados privados que, sem autorização, são fornecidos pelos sites às empresas que fazem esse mapeamento. Por outro lado, é flagrante a restrição de conteúdos durante a navegação, caracterizando a restrição da liberdade de navegação e exposição a novos conteúdos ao que utiliza da internet.

Nessa perspectiva, é evidente a necessidade interventiva da Agência Nacional de Comunicação que deve regulamentar o uso de dados privados na internet pelas empresas, exigindo a descrição de uso e a solicitação de autorização do usuário para tal prática. Além disso, os sites e redes sociais devem oferecer ao indivíduo que os acessará, a opção da manifestação de desejo, ou não, de se expor a publicidades previamente direcionadas e personalizadas de acordo com seu perfil, a fim de possibilitar a escolha subjetiva daquele que pretende, ou não, utilizar desses serviços.