ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 06/01/2019

Na última década do século XX, no Brasil e no mundo, deu-se a expansão dos meios de comunicação derivados da “internet”. As caixas de “e-mail” representavam os embriões desse mundo virtual, o qual, anos depois, gerou diversas ferramentas, como as redes sociais e os sites de notícias, para, teoricamente, facilitar a vida do usuário. Porém, a recíproca não se apresenta totalmente verdadeira, uma vez que o uso inconsciente da “internet” expõe o comportamento individual e permite uma negativa manipulação do usuário.

Em primeiro plano, é necessário analisar a conjuntura da sociedade atual, a qual, em parte, depende do meio virtual para sobrevivência, seja devido ao trabalho, seja devido à necessidade de procedimentos médicos à distância. Todavia, a falta de limites para o uso de tal ferramenta, principalmente da população jovem (representa o maior número de usuários), desencadeou uma cultura fundamentada no uso livre e sem regras da “internet”, possibilitando uma exposição de informações individuais, como endereços, gostos musicais, preferências comerciais, as quais, apropriadas pela indústria do consumo, são usadas para manipular o consumidor através de anúncios ou promoções e, dessa forma, apropriar-se da liberdade do indivíduo.

Além disso, o comportamento em massa é alterado, pois as escolhas a serem feitas estão restritas ao “smartphone” ou ao computador. As alternativas exteriores a esses ‘hardwares", na maioria das vezes, são ignoradas, criando rebanhos de consumo, derivados da minoridade intelectual do cidadão, como anunciado por Kant; o homem, no estado de conforto, compactua com as ideias propostas sem preocupação com a fundamentação dos fatos.

Urge, pois, a fim de criar um ambiente mais seguro para os usuários do meio virtual, que o Estado crie mecanismos para fiscalização de práticas que diminuam a liberdade do cidadão, por exemplo a efetivação do “Marco Cívil da internet” e a criação da “Polícia Virtual”, para que, dessa forma, a segurança na navegação seja veracidade e as informações sejam protegidas. Ademais, a conscientização sobre o uso correto da “internet” deve ser pauta nas redes de ensino básico, por meio da adoção de rodas de discussão nas escola e nas família, através de incentivos de ONGs e da própria assistência social pública, para que, assim, o desenvolvimento juvenil não esteja sujeito às vontades do capitalismo e da minoridade intelectual.