ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 13/11/2018

“Vivemos em tempos líquidos, nada foi feito para durar”. A máxima do sociólogo Zygmut Bauman marca as novas interpretações dadas às relações sociais celebradas na atualidade. Nesse cenário, muito se tem falado da correlação entre a assertiva de Bauman e a expansão das mídias digitais por meio do uso desmedido da internet. Diante da atual conjuntura, faz-se necessário compreender os inúmeros debates a respeito da segurança digital e os princípios que regem as relações humanas neste território ainda incompreendido.

Em primeira análise, é válido destacar que o uso em larga escala de serviços digitais é um acontecimento recente, que marca a passagem para o século XXI. Nesse sentido, a consolidação da globalização e de uma Nova Ordem Mundial são marcadas pela extinção das barreiras geográficas e o surgimento de um mundo interconectado. Todavia, a despeito das vantagens que decorrem desse contexto, verifica-se que a internet se porta tal como uma “terra sem lei”, onde seus limites ainda são nebulosos e seu território permanece desconhecido. Destarte, a partir do entendimento preconizado por Jürgem Harbemas, à medida que surgem novos interesses, há uma nova interpretação do que é importante para os indivíduos, cabe alertar para a falta de princípios e regulamentações nesse meio que viabilizam a sua desordem.

Outrossim, a colocação de Immanuel Kant: “O homem existe como um fim em si”, pauta-se no Princípio da Dignidade Humana. Desse modo, pela lógica kantina, não é possível exercer a dignidade se não é facultado ao indivíduo o pleno desenvolvimento de suas ideias. Infere-se, portanto, que os efeitos da “bolha digital”, advindos da manipulação de dados, influenciam na manifestação das opiniões individuais e interferem no próprio processo da formação do usuário.

Diante do que foi exposto, cabe ao poder público engendrar ações que possibilitem o melhor compreendimento desse novo espaço que emerge. Logo, a priori, deve o Ministério da Educação promover a educação digital com a inclusão da disciplina nos currículos escolares, a fim de educar as mentes mais jovens ao uso sensato das ferramentas digitais e fomentar o desenvolvimento do senso crítico, haja vista que o princípio para a informação é o acesso ao conhecimento. Além disso, deve a sociedade realizar encontros e debates nos centros comunitários, a fim de reforçar e incentivar as relações sociais e romper com os efeitos consequentes das filtragens de informações. A implementação de tais medidas levará ao melhor entendimento das relações sociais, conforme alerta Bauman, e, inevitavelmente, ao exercício da dignidade humana nos meios digitais.