ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 13/11/2018

Com a expansão do fenômeno da globalização, as fronteiras, ao menos na esfera tecnológica, se estreitaram de forma que hoje é possível se conectar com outras regiões do mundo através de apenas um clique. Nesse novo universo, o usuário cria uma espécie de identidade virtual, compartilhando suas informações pessoais a fim de facilitar a sua identificação. No entanto, observa-se a coleta desses dados por redes sociais com o intuito de direcionar anúncios personalizados e sugerir conteúdo político-ideológico por meio de parcerias pagas, influenciando, dessa forma, o comportamento dos usuários.

Em uma primeira análise, destaca-se a periculosidade da utilização de informações pessoais no cenário político. Em 2017, nos Estados Unidos, a rede social Facebook foi acusada de não proteger suficientemente seus usuários, o que acarretou no vazamento de milhares de dados que foram usados para traçar o perfil dos eleitores americanos e disseminar notícias falsas. No Brasil, os usuários experienciaram propagandas eleitorais baseadas em sexo, idade e localização conforme o público-alvo dos candidatos.

Além da influência política, percebe-se o uso do mesmo algoritmo para recomendar produtos aos usuários de redes sociais. Por meio de parcerias pagas, os anunciantes conseguem direcionar as propagandas para seu público-alvo, o qual, muitas vezes, não possui conhecimento de como alterar suas preferências de anúncio na rede.

Diante dos argumentos supracitados, fica evidente a responsabilidade do Poder Legislativo de exigir maior clareza e interação do usuário com a personalização de anúncios, por meio de leis que regulamentem os serviços utilizados pelas redes sociais no Brasil, a fim de promover a segurança dos dados dos brasileiros e impedir a influência de algoritmos na política, garantindo, assim, a pluralidade do conteúdo e dos pontos de vista disseminados na Internet.