ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 16/11/2018

O século XIX foi marcado por grandes revoluções, a constar a Revolução Industrial, que teve reflexos diretos no modo de vida contemporâneo, no que tange o desenvolvimento de tecnologias. De tal modo, no século XX, a Guerra Fria, disputa técnico-ideologica entre os Estados Unidos e União Soviética por supremacia mundial, marca o encontro do homem com a era digital. Fruto desse confronto, a internet, atualmente, é o meio mais eficaz para difundir informações, diminuir distâncias e fundir culturas. No entanto, o uso indiscriminado aliado à passividade do usuário e ao modo como as informações pessoais são utilizadas pelos sistemas influenciam o comportamento do cidadão.

Apesar da liberdade de busca de conteúdo assegurada pelos sistemas digitais, o usuário encontra-se refém dos algoritimos. O banco de dados desses sistemas aliado ao mecanismo dos algoritimos condiciona os usuários a consumirem conteúdos parciais, fato que limita a obtenção de informação, a tomada de decisão e a determinação de opiniões, em um submundo onde essas surgem com desenfreada velocidade. Bauman, na sua teoria sobre modernidade líquida, reflete sobre as questões da fluidez da contemporaneidade. Assim, como as noticias e informações fluem com demasiada velocidade, a seleção de conteúdo a um determinado usuário, baseado no seu histórico de acesso, restringe seu campo de informação.

Ademais, a manipulação é decorrente da passividade do usuário. Paulo Freire, na sua pedagogia freireana, alude à educação com base na busca ativa, voltada para criação de um senso crítico. No entanto, tal estratégia educacional não foi instituída nas escolas brasileiras. Assim, em um cenário onde 64,7% da população brasileira utiliza a internet, segundo o IBGE, a autonomia do cidadão com relação ao que se busca nas redes, subverte-se aos resultados automaticamente gerados e a absorção desses de forma passiva.

É evidente, portanto, que o controle de dados é um aparato para a manipulação dos usuários. Assim, cabem às esferas publicas, juntamente com ONGs, a abertura de uma comissão da qual outros países possam participar a fim de delimitar a utilização dos algoritmos para não restringir o acesso a informação. Ainda, cabem às escolas, junto a comunidade, a elaboração de grupos operativos que discutam sobre como é dado os resultados das buscas e sobre a veracidade das informações obtidas com intuito de atentar para uso crítico da internet e a absorção de informação de forma ativa e fidedigna.