ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 14/11/2018
A Revolução Técnico-científica, ocorrida no final do século XX, trouxe inúmeras mudanças na forma de se lidar com a informação. Tais transformações se acentuaram no Brasil, principalmente, após o advento da influência comportamental exercida pelo controle de dados na Internet. Essa manipulação, quando exarcebada, é maléfica, seja por moldar o gosto dos usuários em prol do consumo, seja por desenvolver um caráter exclusivista na sociedade contemporânea.
Em primeira análise, cabe pontuar a tecnologia dos algoritmos como fator determinante das aquisições individuais. Nesse sentido, segundo o sociólogo Émile Durkhein, em sua definição de fato social, a consciência coletiva determina a consciência individual. Analogamente, o controle de dados na internet age como uma consciência coletiva artificial ao determinar com quais conteúdos o indivíduo tera contato. Como consequência de tal fenômeno, a pessoa tem suas decisões determinadas pela influência de interesses corporativistas, ao ser imposta, de forma imperceptível, à necessidade de consumo de certos produtos e serviços.
Em segunda análise, vale ressaltar o desenvolvimento de um caráter exclusivista na sociedade atual. Nessa perspectiva, o filósofo Zigmunt Bauman ressalta a liquidez das decisões humanas ocasionada pelo intenso fluxo de informações. Sob tal ótica, hodiernamente, o usuário interage, majoritariamente, com o que mais lhe agrada, o que é possibilitado pelo sistema de algoritmos, dispensando o esforço que seria necessário caso esse controle de dados não existisse. Consequentemente, a consciência do indivíduo habitua-se a não se deparar com produções artísticas alheias a seu gosto, o que desenvolve nas pessoa uma intolerância às preferências diferentes das suas próprias.
Portanto, tornam-se perceptível a manipulação do comportamento individual pelo controle de dados na internet. Sendo assim, o Ministério das Comunicações deve promover ao indivíduo um maior controle sobre suas escolhas na rede, por meio de fiscalização das empresas responsáveis pelos mecanismos de algoritmos na internet, a fim de que as pessoas consumam somente aquilo que conscientemente foram desejados. Dessa forma, as consequências da terceira fase da Revolução Industrial serão as melhores possíveis.