ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 15/11/2018
Com a revolução técnico-científico-informacional e a consequente popularização dos meios virtuais, tem-se uma população cada vez mais confiante na internet, expondo-se de maneira descontrolada, alheia aos riscos de tal ato. Essa situação cria indivíduos forte e precocemente alienados, iludidos com uma liberdade de escolha, o que aponta para uma rápida conscientização social quanto ao uso adequado dos meios digitais.
Essa super-exposição é resultante, principalmente, de um processo globalizado que estimula as pessoas a se tornarem participantes ativos das plataformas “on-line”. Isso pode ser observado ao se analisar sites como o “Facebook”, “Instagram” e “Twitter”, os quais “cobram” constantemente do usuário atualizações sobre seu cotidiano, seus gostos, amizades e dados pessoais, montando, a partir disso, listas de indivíduos com interesses comuns, ou seja, indicando quem ele deve seguir nessas plataformas. Diante disso, percebe-se um sistema que induz os usuários a se expor, retribuindo-os com “likes”, “status” e falsas amizades, o que configura, segundo Zygmunt Bauman, uma modernidade notadamente líquida.
Além disso, deve-se destacar o descompromisso familiar e escolar na fiscalização do uso da internet por crianças e adolescentes. A manutenção de um sistema de ensino tradicional conteudista, que não preconiza, no geral, a formação crítica dos alunos, aliado ao maior contato deles com os meios virtuais, como jogos e redes sociais, fazem com que a população mais jovem torne-se um evidente alvo da manipulação exercida na internet, confirmando o pensamento kantiano de que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Em adição, é notável o vilipêndio familiar quanto ao controle das ações virtuais exercidas pelos filhos, como compras e acesso a sites adultos, tendo suas personalidades formadas pelo que aprendem “on-line”.
Destarte, com o fito de conscientizar os usuários a respeito da divulgação de dados na internet, é indispensável que as instituições formadoras de opinião, família e escola, promovam o caráter críticos dos discentes, por meio de debates e diálogos, nas aulas de sociologia e filosofia, além do ambiente familiar. Cabe às escolas, também, oferecer feiras e aulas de informática que exponham os riscos da divulgação de dados nos meios digitais, criando indivíduos conscientes e responsáveis, “imunes” à alienação vivenciada atualmente.