ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 15/11/2018

É de conhecimento geral que a presença cada vez mais forte de tecnologias com uso da internet em todos os meios é preocupante. No uso recorrente dos meios tecnológicos, são fornecidas diversas informações pessoais, que em maioria notória os detentores dos dados e seus usos não estão claros. Nesse sentido, é de extrema importância a compreensão da realidade em contraste da ideal segurança do uso de dados virtuais.

Na contemporaneidade, os riscos da facilidade com que a sociedade fornece informações eletronicamente estão se tornando evidentes. Um caso que chamou a atenção global foi a investigação da possível utilização de testes em redes sociais para identificação de personalidades com fins de manipulação eleitoral em 2016 na eleição presidencial dos Estados Unidos. Nesse contexto, as discussões sobre um avanço tecnológico exponencial devem levar em consideração a segurança deste, já que não se deve deixar a insegurança já presente, vivida e temida em ambientes físicos, se instaurar também em ambientes virtuais.

Outrossim, no Brasil, onde mais da metade do país continental tem acesso e fornece informações virtuais, a preocupação com quem “lhe acessa” é secundária. Ademais, outro fato relevante é que o acesso inicial à internet da maioria dos brasileiros se inicia aos 10 anos de idade (IBGE), deixando na mão dos grandes detentores dos meios a moldagem do seu pensamento, justamente por ser o primeiro contato com determinados conteúdos, essa ideia de “moldagem” é validada pela teoria da socialização primária de Max Weber.

Nesse ínterim, é possível inferir que o governo deve investir em órgãos de controle eletrônico isentos de participação política, a família por sua vez, deve conscientizar principalmente os mais jovens sobre o fornecimento de informações e a mídia limitada para com o uso dessas informações não impedir a pluralidade de ideias com seu papel de formadora de opinião. Assim, poder-se-á aproximar o Brasil real do idealizado pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que ao se refugiar no Rio de Janeiro, escreveu o livro: “Brasil: Um país do futuro”.