ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 17/11/2018

A manipulação do comportamento de indivíduos por meio do controle da informação não se constitui uma prática nova, tenso sido utilizada por Hitler no 3º Reich para estabelecer sua dominação. Entretanto, o poder de alcance dessa distorção cresceu exponencialmente com o advento da internet, e se mostra condenável por suprir interesses mercadológicos em detrimento das necessidades do sujeito, bem como por abrir espaço para o alastramento das perigosas “fake news”.

Os quase 65% dos brasileiros que acessaram a internet em 2016, de acordo com o IBGE, possivelmente se depararam com anúncios publicitários. Nessa perspectiva, essas propagandas são cautelosamente elegidas por algoritmos, os quais geralmente refletem o gosto do indivíduo, fazendo-o se sentir entendido e especial. Todavia, esse sentimento é parte da ilusão do poder de escolha proporcionado por esses códigos, os quais estão alinhados à interesses comerciais. Assim, o sujeito permanece alienado do processo em que está inserido, parafraseando a ideia de Karl Marx, e continua alimentando o ciclo em que seu tempo e força de trabalho não são empregados em benefício próprio, mas sim para perpetuar o sistema econômico e intelectual vigente.

Sob o prisma das “fake news”, observa-se que seus desdobramentos já foram sentidos no comportamento dos usuários de internet. Isso pode ser corroborado pelo escândalo ocorrido em 2017 envolvendo a coleta de dados pessoais no “Facebook”, e a posterior utilização dessas informações para gerar notícias falsas, as quais mudaram o rumo das eleições nos Estados Unidos. Dessa forma, analisa-se que moldar conteúdos na internet, interferindo, portanto, no modo de agir do indivíduo, constitui uma ameaça a democracia e a legitimidade do direito de escolha.

Depreende-se, portanto, a necessidade iminente do combate à manipulação de dados na internet. A fim de que se resolva esse problema, urge que o Ministério da justiça fiscalize e puna a disseminação de notícias inverídicas, assim como forneça à população ferramentas para que sua idoneidade seja averiguada. Também se mostra importante que as Secretarias da Educação articulem com as escolas, para que a educação digital seja propagada por meio de debates lúdicos, os quais despertem o senso crítico dos alunos. Tomadas essas medidas, espera-se que o algoritmo dominante seja o próprio pensamento crítico individual.