ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 19/11/2018
No livro “1984”, o autor constrói uma distopia onde o Estado controla as ações e pensamentos dos indivíduos. Apesar do Brasil não viver num sistema autoritário, empresas privadas tem usado de dados coletados de usuários na internet para influenciar seus comportamentos, o que se evidencia pela formação das bolhas sociais e representa um risco à democracia.
Primeiramente, as bolhas sociais são consequência direto do algorismo de funcionamento das redes sociais. A fim de manter usuários o maior tempo possível em suas plataformas, redes como o facebook se utilizam de um algorismo que tende a mostrar ao leitor notícias e postagens que o agradem mais e corroborem com sua opinião, gerando assim câmaras de eco onde o usuário é cerseado de pontos de vista contrários aos seus, tornando-se assim um perfil de usuário mais vulnerável à manipulação de discursos políticos radicais, ou de marcas que queiram lhe imputir algum medo para vender uma solução posteriormente. Assim, as bolhas sociais formam um ambiente propício à manipulação.
Outrossim, a coleta de dados dos usuários também pode ser usada para influenciar eleições. Nas eleições de 2016 nos E.U.A., a empresa Cambridge Analytica se utilizou de dados coletados no facebook para influenciar o voto dos eleitores, enviando fake news à favor ou contra os adversários de algum candidato, como também ocorreu na Inglaterra, no Brexit. Dessa forma, a coleta de dados dos usuários são verdadeiras armas políticas, capazes de redefinir o rumo de uma nação.
Portanto, a fim de combater essa violação de privacidade que é uma afronta ao Marco Civil da Internet, o Poder Executivo pode fazer parcerias com empresas de telefone para oferecer pacotes de dados gratuitos a grandes jornais e artigos de opinião, a fim de oferecer um acesso democrático a informação de qualidade, uma vez que facebook e whatsapp já são privilegiados com este benefício e são as principais fontes de informação no smarthphone. Paralelamente, o Poder Legislativo deve elaborar uma lei que obrigue os navegadores de internet a oferecer e incentivar o uso de VPNs aos usuários, que são dispositivos que fornecem o irrastreamento dos dados do usuário nos mecanismos de busca, tornando anônimo seus sites visitados e seu comportamento.