ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 20/11/2018

Ocorrida ao longo do século XX, a chamada Revolução Técnico-Científico-Informacional foi responsável por originar o mundo globalizado e constantemente conectado no qual a sociedade brasileira pós-moderna encontra-se inserida. Entretanto, embora sejam inequívocos os benefícios advindos da introdução tecnológica e do acesso facilitado à informação pela humanidade, o uso irrestrito e irracional da rede, em consonância com a perspectiva capitalista de inúmeras empresas ao exercer controle sobre os dados veiculados têm alterado significativamente o comportamento das gerações atuais, caracterizando uma alarmante realidade no cenário nacional.

Segundo Gilberto Freyre, o saber sem um fim social é a maior das futilidades. Sob esse ângulo, evidencia-se que a função da escola não deve se restringir à transmissão de conhecimento e informação, mas deve exercer papel fundamental na construção de uma juventude capaz de desenvolver o senso crítico e certa autonomia intelectual -especialmente no contexto hodierno, no qual o bombardeamento por conteúdos publicitários, majoritariamente pelas redes sociais, ocorre de forma expressiva sobre crianças e adolescentes brasileiros-, objetivando mitigar a ocorrência de alienação e manipulação comportamental. Desse modo, é possível relacionar a falha no papel exercido pelas instituições escolares e pela socialização primária -que deve ser promovida pela família- à perpetuação e acentuação do número de indivíduos facilmente suscetíveis à manipulação dos meios midiáticos.

Outrossim, conforme Pierre Bourdieu, é por meio da cultura à qual é exposto que o indivíduo desenvolve sua visão de mundo e julga a realidade. Dessarte, torna-se inequívoca a capacidade de influência exercida pela divulgação de notícias falsas pela internet sobre o modo de agir, pensar e tomar decisões de abrangência até mesmo nacional por parte do cidadão, haja vista as grandes proporções que a divulgação de inverdades pelas mídias sociais tiveram, por exemplo, nas recentes eleições de 2018. Torna-se notória, portanto, a magnitude da questão e a urgência da tomada de medidas.

De acordo com Confúcio, não corrigir as próprias falhas é o mesmo que cometer novos erros. Nesse sentido, faz-se imperioso que o Poder Executivo exija dos políticos acusados de corrupção indenização ao Estado e destine essa verba ao setor da educação pública, o qual, por meio da administração do MEC, deve determinar como obrigatórias aos alunos e abertas a comunidades aulas semanais nas escolas brasileiras de caráter socializante e capazes de desevolver o pensamento crítico, tais como filosofia e sociologia, alertando acerca da imprescindibilidade do uso responsável da internet. Amenizar-se-á, por esse viés, a manipulação via redes sociais do jovem brasileiro inserido no atual mundo globalizado resultante da Terceira Revolução Industrial.