ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 22/11/2018
A internet começou a se popularizar no Brasil entre o fim da década de 90 e o início dos anos 2000. Desde então, uma miríade de novos recursos e funcionalidades foram gradativamente implementados à rede, gerando inegáveis melhorias na vida da população. Contudo, à medida que a tecnologia se desenvolve, crescem também os riscos de indução comportamental e até mesmo alienação. Qual seria, então, a melhor forma de lidar com os mecanismos de manipulação de conteúdo que por vezes controlam o usuário?
Historicamente, processos considerados como risco à autonomia de pensamento das pessoas surgiram muito antes da internet. Marx considerava a religião como “o ópio do povo”; Hitler utilizava intensas propagandas ufanistas para induzir a nação alemã a compactuar com seus ideais nefastos. Esse segundo exemplo seria, num paralelo com a internet, um conteúdo a ser censurado, visto que incita a violência. O primeiro, não. Esteja Marx certo ou errado, cada um deve ser livre para se enveredar pelos caminhos que julgar adequados, desde que estes não transgridam os direitos humanos. E eis aqui o ponto chave: trabalhar o julgamento individual para que predominem decisões conscientes.
A intervenção necessária para que as pessoas desenvolvam e jamais abram mão do pensamento crítico deve ser alicerçada na educação. Tem-se acesso à internet cada vez mais cedo, portanto é necessário que a discussão se inicie, no ambiente escolar, já nos primeiros anos do ensino fundamental. As abordagens podem começar por questões básicas, como o que é seguro para uma criança acessar ou quanto tempo ela deve passar no computador. Ao longo das séries, os professores passariam a se valer de debates mais complexos sobre o tema, podendo inclusive trabalhar intertextualidades com questões de História e Filosofia. Paralelamente, deve haver fiscalização por parte do governo para que sites e empresas não deturpem o uso desses códigos virtuais para a ocultação de informações. Um algoritmo pode sugerir conteúdo, mas jamais tirar a possibilidade do internauta de escolher acessar outro.
Em suma, o sistema virtual em pauta pode continuar oferecendo direções, desde que, em última instância, esteja sempre submetido à decisão humana. Decisão essa que só será consciente e plena através de um processo educacional sólido. Nas palavras de John Dewey, um dos maiores pedagogos da história, “A educação é processo social, é desenvolvimento. Não é preparação para a vida, é a própria vida.”