ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 04/12/2018
Dissonância cognitiva é uma teoria proposta pelo psicólogo americano Leon Festinger, que declara que a mente humana, quando confrontada por novas ideias ou evidências, tende a ceder a um viés de confirmação em detrimento dos fatos. Infelizmente, é impossível reprogramar a mente e, sendo assim, isso exacerba os riscos recentes da seleção controlada de conteúdo feita por algoritmos, que criam excrescências como a venda de dados sensíveis dos internautas e a sua respectiva manipulação da opinião.
A princípio, pode-se destacar as operações de empresas como a SMS Market, acusada de burlar regras de restrição no Whatsapp para espalhar mensagens de spam com teor político nas eleições de 2018 no Brasil. Esse fenômeno está associado à recente popularização do uso da internet, que mudou a dinâmica da privacidade online, quando empresas como o Facebook passaram a capitalizar com a venda de dados de seus inscritos. Essa política aberrante é realizada, muitas vezes, à revelia dos usuários, sem a punição dos responsáveis, o que cria a sensação de que o universo da internet é terra sem lei.
Outrossim, de forma agravante, políticas de condicionamento a conteúdo direcionado são poderosos instrumentos modalizadores da opinião pública, já que se utilizam de perfis psicológicos bem traçados dos usuários para a curadoria de conteúdo. Apesar de se tratar de um recurso aparentemente inofensivo quando aplicada ao consumo cultural, essa prática é capaz de criar polarização social ou até mesmo a ruptura do processo democrático, ambos problemas gravíssimos. Dessa forma, é possível falar em um exercício controlado da liberdade nas redes, previamente censurado pelas grandes corporações.
Destarte, com vistas à solução desse problema, cabe ao Congresso Nacional possibilitar a punição dessas corporações e responsabilizá-las pelas consequências derivadas do uso discricional dos dados de seus usuários, por meio de projeto de lei, a fim de garantir aos internautas um ambiente virtual de real liberdade. Essa medida deve exigir a publicidade dos algoritmos desses sites e aplicativos para análise de suas intenções, bem como estabelecer protocolos de boas práticas para coibir fake news e “bolhas de opinião”. Adicionalmente, a população civil pode cobrar diretamente mais transparência dessas plataformas e possivelmente realizar o boicote daquelas que se utilizam de algoritmos destinados à manipulação de seu comportamento e pensar.