ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 11/04/2019
Desde a Globalização, o mundo tem vivenciado a maior integração sociocultural e econômica da história. Com a internet, uma ampla rede de troca de informações e dados foi cristalizada na rotina das pessoas. Nesse viés, a monopolização dos dados pela internet tem intervido diretamente na maneira em que a sociedade age no mundo, corroborando para uma alienação cada vez mais intensa. Em uma era guiada pelo mundo digital, faz-se importante uma reflexão sobre o quão negativo a manipulação do comportamento pela rede pode representar à sociedade.
Inicialmente, a supervalorização da vida social tem ganhado espaço no cotidiano humano. No objeto de estudo do sociólogo francês Émile Durkheim, o fato social busca explicar a maneira em que o indivíduo se comporta perante a sociedade, sendo influenciado pelo mundo ao seu redor. Nesse sentido, a intensa valorização das redes sociais é reflexo de uma sociedade cada vez mais digital. Impulsionada por padrões de comportamento, essa sociedade produz indivíduos cada vez mais dependentes e conectados, movidos, não à capacidade de socialização, mas sim à quantidade de visualizações obtidas nos “stories” do Instagram, ou às curtidas do Facebook. Sendo assim, essa realidade desvaloriza relações reais e cria a ilusão de uma sociedade conectada.
Além disso, o grande contingente digital vem produzindo sérios impactos ambientais. O vigente modelo de produção toyotista fomenta o consumo constante em um espaço de tempo cada vez menor, concomitantemente, a produção de lixo é alavancada, causando graves prejuízos ambientais, como a poluição do ar, da água e da vida das pessoas. Esses problemas são vinculados a forte propaganda que empresas propagam na web, por meio de estilos de vida fartos que seduzem o indivíduo a participar desse ciclo de obsolescência programada. Assim, a alcançabilidade cada vez maior de pessoas pela web tem criado personalidades superfulas e sérios riscos ao meio ambiente.
Infere-se, portanto, que a manipulação de comportamentos pela web tem configurado problemas à sociedade. Para que este panorama mude, o Governo deve legitimar o Marco Civil da Internet, assegurando, assim, o reconhecimento dos direitos civis na rede, para que as pessoas possam livrar-se de influências e padrões de comportamentos. À sociedade, o papel de conciliar os meios em que atuam, conscientizando-se sobre os riscos que a dependência no âmbito digital podem as causar, para que, assim, as relações sociais possam se consolidar na era digital, cada vez mais desconectada. Talvez assim, a internet possa ser, realmente, uma rede de interação e integração, livre de dogmas e interesses ocultos pelos logarítimos.