ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 03/01/2019

Na série “Black Mirror”, da plataforma digital Netflix, em um dos episódios, a protagonista tem o entrecorrer de sua vida cerceado pela manipulação advinda da internet – o que reflete em suas decisões. Fora da ficção, no Brasil, tal manipulação comportamental, anexa ao controle de dados na internet, ocorre, indo de encontro a direitos constitucionais – liberdade, a saber – e corroborando a existência de mercados com as informações dos usuários das redes. Nesse sentido, o controle de dados na internet o qual gera, muitas vezes, a manipulação de comportamentos, macula direitos dos cidadãos. Esse impasse conspurca prerrogativas constantes na Constituição Federal (1988), cujos artigos salientam, entre outros, a preservação da liberdade dos indivíduos. Sob esse prisma, é pueril discordar do fato de muitos brasileiros aderirem a pensamentos não condizentes com suas opiniões, por terem sido manipulados – mesmo que inconscientemente – nas redes sociais, por exemplo, por empresas as quais compram dados referentes a esses usuários e arquitetam propagandas específicas. Tal realidade nefasta se deve, a saber, à baixa segurança no meio virtual, ainda que medidas, como o Marco Civil da Internet (2014) – o qual prevê ações mais efetivas –, tenham atenuado essa prática. Assim, ampliar a segurança no âmbito cibernético faz-se crucial. Outrossim, quando os usuários têm seus dados controlados, mercados de roubos de informações tendem a surgir. Esse cenário facilita não só a ação de empresas, no concernente a melhorias no “Marketing” ou à venda de dados – como o “Facebook”, o qual gera lucros ao seu criador, por meio de tal mecanismo intrínseco às novas tecnologias, segundo matérias veiculadas, no Brasil, pela Folha de São Paulo –, mas também de usuários mal intencionados, bem como grupos criminosos, que podem receber senhas de bancos, por exemplo, e cometer atos ilícitos. Nessa análise, vê-se que isso é devido, em parte, à ínfima criticidade de parcela expressiva dos brasileiros, no tocante à inserção de informações pessoais em ambientes não confiáveis, o que pode levar a mudanças comportamentais, relacionadas ao consumo, entre outras. Desse modo, fomentar tal capacidade crítica, sobretudo nas escolas, é imprescindível. À luz dessas considerações, para que a manipulação do comportamento de usuários da internet, em face do controle de dados, seja mitigada, o Governo Federal deve criar mais medidas, análogas ao Marco Civil (2014), e aplicá-las, visando à maior segurança no meio virtual. Ademais, as escolas devem fomentar a criticidade perante a inserção de informações pessoais na internet, por meio de diálogos sobre a temática – aulas extras, sob supervisão de professores da área da Informática –, com o fito de instruir o grupo discente desde cedo. Dessa feita, os brasileiros poderão agir sem a manipulação de outrem, e casos como o explicitado na série “Black Mirror” tenderão a não ocorrer.